por Equipe Akatu

Seguidores do Akatu no Twitter e no Facebook enviam suas dúvidas e o Akatu dá as alternativas.

Agora é lei: a partir de zero hora de 1º de janeiro próximo, as sacolinhas plásticas estarão banidas do comércio da cidade de São Paulo, não podendo ser distribuídas gratuitamente e até mesmo vendidas. O que fazer sem a sacolinha no dia-a-dia?

Como carregar as compras?

Muitos consumidores já dispensam as sacolinhas plásticas e transportam suas compras em sacolas retornáveis de algodão, lona ou mesmo de plástico resistente, como as sacolas de feiras e as sacolas de PET reciclado. Outra solução é usar caixas de papelão, que são oferecidas gratuitamente pelos supermercados, e carrinhos de compra, aqueles usados em feiras livres.

Os chamados saquinhos plásticos orgânicos (feitos de cana ou milho) ou os chamados biodegradáveis, oxidegradáveis, oxibiodegradáveis e variações também estão proibidos?

Sim. Nenhum tipo de saquinho plástico pode ser vendido ou distribuído para carregar as compras no comércio.

Como recolher o lixo em casa? Dos banheiro,  da cozinha?…

Forrar os diversos cestinhos de lixo com dobradura de jornal é uma saída. Veja como fazer a dobradura em (http://www.akatu.org.br/Temas/Residuos/Posts/Veja-como-fazer-saquinho-de-jornal-para-o-lixo).  O consumidor deve manter um único cesto grande de lixo, com os tradicionais sacos pretos – preferencialmente feitos de plástico reciclado – e juntar todos os “saquinhos de jornal” nesse saco maior para retirar para a coleta. As lojas de material plástico continuam a vender os saquinhos, o consumidor também pode comprá-los nessas lojas especializadas. A vantagem é que comprando o consumidor vai usar com muito mais consciência e economia do que quando ganhava no supermercado, na livraria, na padaria, na videolocadora…

Mas o jornal também polui a natureza e faz volume no aterro sanitário.

Nenhum resíduo deve ser descartado direto na natureza. Nem plástico nem jornal nem PET, nada! Todos devem ser recolhidos em casa e postos fora para a coleta, no máximo duas horas antes de o caminhão coletor de lixo passar. Não esquecer também de separar os resíduos chamados de secos ou limpos (vidro, PET, plástico, jornal, papel, latinhas) para a coleta seletiva. Sobre o uso de jornal como saquinho de lixo: a principal diferença é que o jornal leva até seis meses para se decompor, já as sacolas plásticas comuns levam até 400 anos, segundo as empresas de limpeza urbana de São Paulo e do Rio. Além disso, quando descartadas de forma incorreta, as sacolas plásticas degradam a biodiversidade de rios, lagos e mares. Mais: os fragmentos de plástico atraem poluição dispersa na água. Já foram recolhidos no Oceano Pacífico, por exemplo, grânulos de plástico que continham uma concentração 1 milhão de vezes maior de poluentes e resíduos tóxicos do que a água do entorno. No meio urbano, os sacos plásticos entopem bueiros e galerias pluviais e contribuem para enchentes e inundações. Além disso, o plástico é fabricado a partir do petróleo; a redução do uso desse material contribui para a diminuição da emissão de gases de efeito estufa, que causam aquecimento global.

E o saco grande para lixo, fica proibido também?

Não. A venda de sacos de lixo ou de sacos plásticos nas lojas de material plástico está liberada. Ficam proibidas a distribuição e a venda de sacolinhas para embalar as compras no próprio empreendimento. Ou seja, o supermercado, a padaria e todo o varejo estão proibidos de distribuir ou vender as sacolinhas da saída do caixa, como acontece hoje.

E os saquinhos transparentes para frutas e verduras soltas na feira, no “sacolão” ou mesmo no setor de hortifrúti dos supermercados?

Estão liberados. Frutas e verduras a granel podem ser embaladas nos saquinhos específicos. Também estão liberados os saquinhos originais dos produtos, como pacotes de balas, bolachas, feijão, arroz, açúcar etc. Também não foram proibidos os sacos plásticos para produtos que vertem líquido, como frango, carnes, frios, congelados em geral… O princípio da lei é evitar o uso de uma segunda embalagem de plástico para o mesmo produto ao passar no caixa. A ideia é acabar com o saquinho dentro do saquinho.

E se eu quiser levar as sacolinhas da minha casa para o mercado? Eu serei multado?

Não. O consumidor terá a opção de trazer a sacola que quiser de casa e não será multado. A restrição é para o comércio em geral. Mas a dica do Akatu é não usar sacolinhas descartáveis. Mantenha sacolas reutilizáveis, carregue sempre uma dobrada na bolsa ou na mochila. Você estará sempre prevenida ou prevenido no mercado, na padaria, na papelaria, na farmácia…
Em alguns condomínios, jogar lixo diretamente no saco preto do andar é considerado infração grave, por gerar mau odor e atrair insetos. Como fazer?

A lei municipal é superior às normas dos condomínios. Portanto, as regras dos condomínios terão de se adaptar à nova lei. Os moradores devem se reunir e discutir alternativas. Já será um bom momento para pensar mais medidas de consumo consciente também de água, energia e outros recursos no condomínio e nos apartamentos ou casas.


Como recolher o cocô do cachorro na calçada, já que, até agora, as sacolinhas plásticas eram usadas para este fim.

Em pazinhas de plástico duro e depois despejar no saco preto de lixo orgânico em casa.  Ou recolher os dejetos em saquinhos de papel ou feitos de dobraduras de papel. Outra saída é usar luvinhas plásticas descartáveis; você recolhe o cocô, vira do lado contrário e já a utiliza como um saquinho.

 

O Poder da Maquiagem

julho 14, 2011

por Mariana Faria

Desde pequenas as crianças vêem suas mães se maquiando e já ficam inspiradíssimas e com vontade de se produzir daquela maneira. O fato é, toda menina, mulher, quer sempre estar bonita e encantadora. E para que esta beleza se intensifique, elas costumam buscar na maquiagem uma mãozinha para valorizar ainda mais seu visual. A make up ajuda a realçar os pontos positivos e a disfarçar os negativos, causando num contexto geral, uma ideia de elegância e um charme diferente, característico da própria individualidade de cada uma.

Lápis, base, batom, blush, sombras, rímel, são bem-vindos numa nécessaire feminina.

No ballet, as coisas não são muito diferentes, a maquiagem é mais do que essencial na vida dos praticantes de dança. Cada vez mais novas, as meninas já querem maquiar-se para dançar. Usada tanto em aula quanto em palcos- em proporções diferentes-, ela é objeto indispensável na trajetória de uma bailarina. Já faz parte de sua rotina diária, assim como as sapatilhas, collants e meias-calças.  Sempre a procura do diferente no universo do embelezamento, elas vão aumentando seus estoques a partir das novidades oferecidas no mercado.

Para quem dança o momento mais especial e esperado é a sensação de estar no palco. Ali a magia acontece, eles querem mostrar todo seu potencial, e aproveitar cada segundo a emoção de poder vivenciar algo tão fascinante. A expressão, os movimentos, a técnica fundem-se num só corpo, dando vida ao personagem. Mas, para que isso tudo ocorra de uma forma mais clara para um público leigo é fundamental a incrementação dos figurinos e principalmente da maquiagem.

A maquiagem de palco intensifica as características dos personagens. Ao dançar ballet de repertório, às vezes é preciso que um bailarino fique com aspecto de uma pessoa envelhecida pelo tempo. Assim como também, é necessário que bailarinos incorporem bonecos ou até mesmo palhaços e bobos da corte. A maquiagem é uma grande contribuinte para a valorização de um artista. Ela intensifica as características do intérprete, dando mais energia no palco e permitindo ao público a sensação de estar mais próximo do real.

Você mesma pode fazer a sua, aqui segue um passo a passo de uma maquiagem para os olhos que pode ser utilizada em diferentes estilos de coreografias a serem dançadas em palcos.

Passo a passo conforme a ilustração

  • Aplique uma sombra prata na pálpebra móvel dos olhos até a metade
  • Em seguida complete com uma sombra preta na parte externa, esfumace um pouco a parte de cima, e com um pincel fino marque a linha do côncavo, criando um estilo degradê. Utilize também uma sombra bege como iluminadora na parte superior dos olhos perto da sobrancelha. Use cílios postiços e delineador, eles proporcionam um diferencial no olhar.
  • Ilumine o canto dos olhos com sombra branca levando até a metade da sua parte inferior. Complete com a sombra preta na outra metade para deixar o olhar em evidência. Para finalizar utilize o rímel na parte inferior e superior dos cílios.

por José Luiz Bastos Melo

O I Congresso Brasileiro de Dança Moderna aconteceu de 23 a 26 de junho no Centro de Artes Nós da Dança, no Rio de Janeiro, bairro de Copacabana. Dirigido por Andrea Raw e Regina Sauer, o evento foi ministrado por mestres de grandes e tradicionais escolas de dança norte-americanas. Bradley Shelver, do Alvin Ailey School, que ensinaram técnica de Horton; Maxine Steinman,  do Limón Institute, lecionou a técnica de José Limón; e Lone Larsen, professora da Martha Graham School, ensinou técnica de Martha Graham. O que ficou marcante destes mestres, era o amor e generosidade com que ensinaram a todos os bailarinos, de forma incansável nas maratonas de aulas que ministraram.

Entre aulas, palestras, mesa redonda e a apresentação de um espetáculo de trabalhos pré-selecionados, com coreografias que usaram as técnicas de Dança Moderna como referências, ficou marcante a competência destas duas batalhadoras da Dança Moderna no Brasil, e organizadoras do evento, que são Andrea Raw e Regina Sauer e a certeza de que precisamos de mais eventos como este.

Uma das organizadoras do evento, a bailarina e produtora Andrea Raw, já vem trazendo mais da dança moderna para a cidade. Em 2009 e 2010, organizou Workshops internacionais de Técnica de Martha Graham. Em janeiro de 2011, realizou no Nós da Dança, junto de Regina Sauer, o Workshop de Técnica de Horton com Ana Marie Forsythe, professora do Alvin Ailey American Dance Center.

Agora vamos esperar pelos próximos eventos.

Yuri Kraszczuk

Caros Amigos,

É sempre muito bom poder lhes escrever.

Como sempre, gostaria de agradecer à todos que enviaram e-mails e mensagens através de nosso blog e nos enviaram sugestões, é muito bom saber que vocês estão acompanhando nosso trabalho.

Lembramos a todos sobre a mudança do nome para Dance Klass News. Esta mudança se fez necessária devido a um reposicionamento do jornal no mercado.

A página Dance Klass KIDS foi muito bem aceita, recebemos vários e-mails nos parabenizando pela iniciativa.

Desta vez não vou descrever o conteúdo do jornal, vou falar de um assunto mais sério, um assunto que chocou um país inteiro, provocada por uma pessoa que segundo reportagens sofreu bullying.

Para quem ainda não sabe, bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por uma ou mais pessoas  contra um ou mais colegas. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.

Segundo especialistas, o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

Com uma experiência de 19 anos no mercado de dança, já vi professores transformarem alunos com físicos completamente inadequado para dança em bons bailarinos, assim como vi professores fazerem meninas que nasceram para dançar terem completa aversão à ela . Mérito para aqueles que tiveram um resultado positivo e para aqueles que não, prestem atenção em como falam com as crianças e adolescentes em sala de aula, existem muitas formas de chamar a atenção sem ser humilhando seus alunos ou os diminuindo.

Cabe a nós que temos filhos prestarmos atenção e ficarmos alertas com os sinais que eles dão em casa, a dança tem que ser prazerosa, a academia tem que ser um lugar de alegria.

De atenção a seus filhos, e não deixe os outras pessoas diminuírem o bem mais precioso que Deus nos deu nossos filhos.

Espero que gostem das matérias e se quiserem obter mais detalhes sobre elas, ou até mesmo sugerir algum outro assunto, envie um e-mail para nosso endereço, kercheekerchenews@gmail.com, não se esqueçam de enviar também os desenhos de seus filhos, ele pode sair na próxima edição. A resposta para o jogo dos sete erros , assim como o jornal, estão disponíveis em nosso blog https://kercheekerchenews.wordpress.com

Boa Leitura e até o próximo.

Yuri Kraszczuk

Foto por Rodrigo Buas

Para ser boa bailarina, não basta ser excelente profissional. Tem que ser boa pessoa também. Conversamos com Mayara Magri, aluna revelação da Escola de Dança Petite Danse, e conferimos toda a simpatia de uma pequena mulher, mas grande bailarina. Leia a entrevista na íntegra e descubra o porquê de Mayara ter ganhado o mundo. Ou o mundo ter ganhado Mayara.

DK: Como é que você começou a dançar?

MM: Comecei a dançar com 8 anos, junto com as minhas irmãs. Entramos para o projeto Social “Dançar a Vida”, da Escola de Dança Petite Danse, e não tinha como minha família custear as mensalidades das três ao mesmo tempo. Entrei para o ballet porque meus pais me colocaram, mas quando comecei a dançar com a companhia da escola e a competir em festivais logo percebi que era aquilo que eu queria. Meu primeiro festival foi o CBDD, fiz um solo clássico, “O Cupido”, e ganhei em terceiro lugar. Lembro que reclamei com a minha mãe, disse a ela que foi muito curtinho, que queria ter dançado mais! E ela me disse pra ter calma que eu ainda iria dançar muito. Desde pequenininha eu já tinha essa vontade de estar mais no palco.

DK: Então você só fez ballet?

MM: No início sim, mas agora estou dançando outros estilos também, por causa da companhia. Estamos fazendo parte de um projeto, o “ Nos Passos da Dança”, e apresentamos no Rio de Janeiro inteiro, em que recebemos uma ajuda de custo mensal, como uma bolsa. O espetáculo conta toda a trajetória da dança, desde as danças de côrte até as danças populares do Brasil, como o samba. Tem jazz, moderno, contemporâneo, tem de tudo no espetáculo.

DK: Tem vários cartazes nas ruas, mas e a programação?

MM: Tá no site do projeto, o www.dancaravida.org.br . Já tem muita apresentação marcada, em Caxias, em Niterói, na Tijuca, no Leblon, e até em estações do Metrô. A entrada é gratuita, é pra todo mundo ir assistir, pra todos terem acesso, e tem sido muito legal, um sucesso.

DK: Falando em sucesso, como foi interpretar o “Cisne Negro”?

MM: Sempre tive muita vontade de fazer esse papel desde muito novinha. Acho que é o sonho de toda bailarina. Sempre pedia isso pra Patrícia Salgado, que é a nossa ensaiadora,e ela me dizia: “Calma, a sua hora vai chegar.”. Acabei dançando outras coisas até o dia em que ela me disse: “Pronto, chegou sua hora, você vai ser o ‘Cisne Negro’.” Eu queria muito, mas fiquei tensa! (risos). Começamos a trabalhar os mínimos detalhes, desde outubro de 2009. Tudo dentro do papel “Cisne Negro” tem um sentido, um por quê. A primeira apresentação foi em uma noite de gala que a Petite realizou no Teatro Odylo Costa Filho, na UERJ. Foi um trabalho muito minucioso, até porque a Patrícia já dançou esse papel e buscamos fazer tudo perfeito. Vi muitos vídeos também, e a remontagem que ela fez favoreceu bastante, além do bailarino que dançou comigo. Desde o início deu tudo muito certo. Calhou de ser na época do filme.Veio na hora certa.

“Acabei dançando outras coisas até o dia em que ela me disse: “Pronto, chegou sua hora, você vai ser o ‘Cisne Negro’.”

DK: E você pirou como a protagonista do filme?

MM: De jeito nenhum, temos que saber separar a nossa vida pessoal do ballet, até porque o ballet é uma representação; temos que sempre fazer com que aquilo seja real, mas não é como no filme, em que ela já tem problemas psicológicos. Ela já é louca, não é por causa do ballet. Isso ficou meio mal explicado no filme. É uma conjuntura de fatores que a fazem ser daquele jeito, como a mãe dela por exemplo.

DK: Sua mãe não é assim não, né?

MM: Claro que não, muito pelo contrário, minha mãe me apóia muito, ela tá sempre me acompanhando. Minha família adora. Quando fui pra Lausanne (Mayara participou do Prix, uma competição internacional para bailarinos de 15 a 18 anos na Suíça), a produção do evento acompanhou a trajetória de alguns candidatos. Escolheram de modo aleatório, e me filmaram desde os ensaios até o camarim, na preparação para o palco. Foi a primeira vez em que a minha mãe me viu nesses momentos de bastidores, me arrumando para entrar em cena, porque ela sempre ficou na platéia, sempre do outro lado. Ela nunca viveu isso até ver o vídeo, que estava no blog da competição. Fizeram transmissão ao vivo das apresentações, e aí estourou; meu Facebook tava bombando quando cheguei de viagem. Eram mil mensagens de carinho, motivação, de gente que nem conheço que me viu dançando outras vezes e me parabenizou por eu ter melhorado muito.

DK: Isso foi notável, principalmente na sua apresentação no Festival de Joinville. As pessoas comentavam sobre você com a maior euforia!

MM: Dancei no Festival e as pessoas me paravam, me pediam para tirar fotos, dar autógrafos. Isso não é muito normal, só tenho 16 anos  (risos)! Foi a primeira vez em que dei autógrafo, não tinha idéia de como fazer isso. Aconteceu quando entrei de penetra com a Patrícia numa das noites de apresentação do Festival e o segurança da platéia veio até mim. Na mesma hora pensei: “Meu Deus, ele vai tirar a gente daqui!”. Ele me perguntou: “Você é a Mayara Magri?”. Respondi que sim. Então ele me disse que tinha umas meninas querendo tirar fotos comigo. Perguntei pra Patrícia: “Como que faz isso?”! Nunca tinha dado autógrafo na vida! Depois de Joinville foi muito diferente; as pessoas realmente acompanham meu trabalho, é muito gratificante.

DK: A Mayara tem tempo de estudar e de dançar; mas ela tem tempo de ficar com os amigos e namorar? E a competição, a inveja; rola muito?

MM: Claro, meus melhores amigos estão aqui na Escola de Dança, na verdade. Quando estou fora daqui (Petite Danse), cuido de mim; fico com minha família, com meus amigos, passeio, adoro ir à praia. Me protejo bastante, sou muito católica, gosto muito de cuidar do meu lado espiritual. É importante desligar um pouco do ballet para se manter bem. Mas quando entro na escola de dança, fico totalmente focada. O dia em que meu foco estiver no lugar errado, quero que venham me falar, pelo amor de Deus (risos)! Geralmente passo mais tempo aqui do que em casa. Agora estou fazendo curso de inglês também, porque vou viajar pra Londres em Setembro (Mayara foi admitida no Royal Ballet School, na Inglaterra).

DK: Como foi a primeira vez que você foi dançar ballet no exterior?

MM: Aos 14 anos fui fazer um curso de 3 semanas e participar de um concurso no Ballet Nacional de Cuba. Foi um workshop, foi maravilhoso. Apesar de a técnica ser outra, é um estilo muito bom, aprendi muito, senti uma grande diferença no meu corpo. Recomendo pra todos. No mesmo ano fui pra Nova Iorque; fiquei entre as “Top 12” da minha categoria. E fui pra Córdoba, na Argentina, pra disputar a vaga de Lausanne, uma viagem com tudo pago. Ganhei como melhor bailarina em Joinville e com o prêmio veio a oportunidade de ir à Córdoba. Essas viagens foram custeadas também pelo patrocínio que tenho desde 2009 com uma empresa dirigida por um grupo de mulheres, mas vem ficando mais difícil pra elas bancarem grande parte dos gastos, já que antes as viagens eram só nacionais, e agora são voos para o exterior. Não tem como minha família bancar tudo, até porque minha irmã mais nova faz ballet também. E ela vai pro Stuttgart Ballet, na Alemanha! Nós duas vamos sair de casa, minha mãe vai ficar só com uma filha, ela vai ficar louca! (risos)

DK: Como foi essa escolha pelo Royal?

MM: Quando fui pra Lausanne pude escolher uma das escolas parceiras da competição para me candidatar à aluna. Eu já queria o Royal antes, é uma escola muito conceituada, tem um nome de peso. Assim que  mandei o email para a diretora da escola, a Gailene Stock respondeu na mesma hora! Parece até que ela estava em frente ao computador esperando meu email! Ela me mandou a proposta oferecendo tudo pago, alimentação, hospedagem, custos com roupas, sapatilhas, essas coisas. Era o que eu precisava, uma bolsa para o Royal. Foi um alívio, não só pelo que é a escola mas por tudo que eles irão me oferecer. Vou cursar o último ano de formação no ballet. Já vou entrar como aprendiz da companhia. Vou ver como ficará meu tempo para terminar a escola formal lá, farei de tudo para conciliar os dois.

DK: Agora que você foi chamada para o Royal, o que você vai fazer? Vai ficar por lá para sempre, vai só fazer esse um ano de curso e vai voltar…?

MM: Não sei bem ainda o que eu farei depois, até porque nunca fiquei tanto tempo fora de casa, vou fazer a experiência e ver o que acontece, como será a adaptação e tudo. Sei que vai ser difícil; minha família é muito unida. Mas quero fazer uma coisa de cada vez. Esse tempo no Royal será maravilhoso, até porque é uma escola de referência; sem emprego, ao menos, sei que não vou ficar!

DK: Como fica a sua cabeça com tudo isso que vem acontecendo? Agora que você explodiu em Joinville, Lausanne, Nova Iorque e foi admitida no Royal?

MM: Tá tudo no lugar! (risos). Procuro manter a humildade sempre; porque se deu certo assim até hoje, é esse o meio para acertar. Não vou mudar o meu jeito de pensar. Por mais que eu seja uma grande bailarina de uma grande companhia; estarei sempre aprendendo coisas novas. O ballet é o que quero pra minha vida. O que eu puder fazer para me aprimorar, farei; cursos, workshops, o que for preciso. Não dá pra dançar ballet para sempre, então tenho que pensar no futuro; quem sabe ser professora, sei lá. O que eu puder agarrar de bom, vou agarrar.

DK: Qual recado você deixa pras meninas que como você querem fazer ballet pra vida inteira?

MM: Primeiro de tudo, tem que ter foco. Pra ser bailarina tem que ser de tudo um pouco, tem que ser completa; tem que ter disciplina com horários, buscar ao máximo fazer aulas, trabalhar as suas dificuldades em sala, a constância de um desenvolvimento de aprendizado dentro do ballet, pra quando chegar no palco fazer bonito. Manter uma boa desenvoltura nas aulas para garantir uma boa técnica. Dar sempre um passo à frente a cada dia. Fazer sempre um pouco a mais. Buscar melhorar. Foi o que ocorreu comigo; um ensaio atrás do outro, uma preocupação com os detalhes, tudo bem à risca. Alimentar-se bem é muito importante. Ter uma boa alimentação é indispensável para manter a musculatura forte e a boa saúde. O foco é importante para que dê certo. Só dá certo no palco, na vida, se você faz tudo certo. Tento fazer dar certo. Até agora deu, né!

A primeira coisa que o leigo em dança pensa sobre o piso de dança, é que ele não pode escorregar,  isto se não for um praticante de dança de salão, pois nesta modalidade, o piso não deve agarrar nos sapatos, evitando o deslizamento dos casais sobre o piso. Para muitos o requisito básico na sala de dança, é o espelho, o que para o mim, é o de menor importância.

A primeira coisa, a saber, sobre o piso da sala de dança, é de que não existe um piso ideal para todas as modalidades da dança, estilos como sapateado e Ballet Clássico, necessitam de piso específico, pois cada um interage com os bailarinos de forma única. Portanto, o primeiro item a ser observado em sua sala de dança, é se ela possui o piso adequado ao estilo da dança, cada estilo pede um tipo de piso que terá grande influência no desempenho dos bailarinos assim como na prevenção de lesões.

Vamos falar neste artigo, basicamente sobre o piso para aulas de Ballet Clássico. Este piso é construído a partir de uma treliça de madeira apoiada sobre coxins de borracha, a treliça é coberta com placas de compensado, que por sua vez são cobertas com linóleo . A modalidade da dança, número de praticantes e base em que se apóia esta estrutura, será determinante na espessura da madeira da treliça e do compensado, pois resultara em maior ou menor flexibilidade do piso. Quanto a flexibilidade, ele não deve ser macio demais, pois muita maciez induz a um trabalho muscular aumentado, assim como pouca maciez, no caso duro, leva a ondas de choque por todo o corpo, que com a repetição pode provocar micro lesões nas articulações, que leva a um  efeito degenerativo das cartilagens,  seus sintomas se manifestam  com  dores articulares geralmente depois de alguns anos. Portanto, o piso para Ballet deve ser uma combinação perfeita de flexibilidade, para devolver a energia absorvida  da queda e devolver ao corpo do bailarino facilitando o salto. Vale lembrar que em quase todos os esportes que possuem grande quantidade de saltos, há sempre uma preocupação com a absorção do impacto, daí os inúmeros tênis sofisticados para cumprir esta função, e como na Dança Clássica não se usa tênis, mas uma sapatilha construída de lona e\ou couro praticamente sem nenhum recurso de amortecimento eficiente, a necessidade do piso adequado é de extrema importância na prevenção de lesões.

Outro piso que é de suma importância, é o piso para o sapateado, pois fazer uma aula de sapateado em piso para Ballet, é estragar o piso e a aula de sapateado. O Sapateado pede um piso em madeira, esta mais dura que a usada no Ballet e em formato tábua corrida, que deve ser colocada também sobre uma base de treliça de madeira que não devem levar espuma ou outros materiais isolantes, porém neste caso, as madeiras são mais grossas e menos flexíveis, e devem principalmente produzir um som agradável ao toque com o sapato de sapateado para propagar o som. Aulas de Sapateado em pisos inadequados, induz o Sapateador ao maior esforço muscular, gera maior impacto sobre os joelhos e não fornece a estabilidade necessária a execução dos passos.

Portanto, observe sempre o piso em que você pratica sua dança, ele é mais importante do que possa parecer.

José Luiz

Coluna do Florião

maio 12, 2011

NO RITMO

A estabilização econômica do fim do século passado permitiu que o Brasil fosse preservado das crises internacionais desse início de década. Apesar de bem menor do que deveria, pois falta infra-estrutura, nosso país vive uma fase de crescimento.

Desde o início da década de 1990, muito antes desses mínimos índices de crescimento, um segmento artístico já conseguia acelerar e se mover no seu próprio ritmo – A dança de salão. Revivida e renovada, com forte adesão do segmento jovem da sociedade, cresce e mostra-se como importante opção de lazer e de trabalho.

Estamos comemorando esse ano os 200 anos de aulas de dança de salão no Brasil, contados a partir da primeira propaganda colocada em jornal em 1811 e a cada dia, profissionais e adeptos se encarregam de derrubar antigos estereótipos.

Esta arte é querida pela terceira idade, sim, por ser fonte de prazer, de baixo custo e por seu caráter integrador. Mas não é ultrapassada ou fora de moda. E os jovens descobriram isso na época da moda da lambada e mais recentemente dos bailes de forró, da nova lambada ao som de zouks, de samba e de salsa, onde canalizam energias para a diversão saudável, usando a linguagem corporal para dizer a que vieram.

O profissional de dança, antes visto apenas como um “pé de valsa” que sabia alguns passos, profissionaliza-se, exige-se e cobra respeito da sociedade. Mostra que é preciso estudo, dedicação e muita técnica para ensinar, apresentar-se, coreografar.

E tudo isso tem como resultado a expansão do mercado de dança. Cresce o número de escolas e academias, formam-se cada dia mais professores e dançarinos, e a procura por bailes dançantes é cada dia maior.

Iniciativas associativas com objetivo de dar maior visibilidade ao setor, obter patrocínio e espaço na mídia têm sido uma constante. Registra-se a formação de associações estaduais e a Associação Nacional de Dança de Salão – Andanças. Importante ainda falar do projeto Brasil a Dois, que uniu a classe em um movimento de forte divulgação da dança de salão; do Br Danças – Congresso Internacional de Danças Brasileiras no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, com apoio da Prefeitura do Rio, por intermédio da Secretaria das Culturas.

Conquistamos ainda para a dança social a Semana da Dança de Salão do Rio de Janeiro; o reconhecimento da nossa arte como patrimônio imaterial do nosso estado e, entre muitas outras vitórias, que um membro da dança de salão, pela primeira vez tenha sido eleito como delegado setorial para representar a dança no Congresso Nacional de Cultura.

O sucesso da dança de salão pode ser atribuído ao esforço dos empresários e profissionais da área que têm mostrado grande empenho em superar-se e adequar-se às demandas de mercado, abrindo novas frentes de atuação, levando a dança para os palcos, avenidas e grandes eventos.

Deve-se ainda a uma equação brilhante: a dança de salão é basicamente a única arte que conjuga atividade física, lazer, contato social e benefícios psicológicos com preço muito acessível, de fácil aprendizado, sem exigir espaços ou equipamentos sofisticados, indicada para todas as idades e aceita em todos os extratos sociais.

Luís Florião – www.dancecom.com.br – Academia de Dança Luís Florião – 55 21 3244 3244