Yuri Kraszczuk

Caros Amigos,

 

É sempre muito bom poder lhes escrever.

Como sempre gostaria de agradecer a todos que enviaram e-mails e mensagens através de nosso blog, nos parabenizando e enviando sugestões, é muito bom ter o reconhecimento de um trabalho e ver que vocês estão acompanhando.

Gostaria de agradecer ao instituto AKATU, por gentilmente nos autorizar a utilizar seu material sobre sustentabilidade, que passaremos a publicar em nossa nova coluna sobre meio ambiente.

O KERCHE & KERCHE NEWS está trazendo nesta edição uma matéria que tem como objetivo fazer vocês refletirem sobre como anda nosso planeta, os dados desta matéria foram divulgados mês passado pela rede WWF.

O Bailarino Thiago Soares, em uma de suas rápidas estadias no Brasil nos concedeu uma entrevista e pode compartilhar conosco um pouco de sua trajetória e sua carreira.

Na coluna saúde o fisioterapeuta José Luiz Bastos Mello traz a terceira e última parte de seu artigo sobre as técnicas do pilates como auxílio a dança.

O Rioprevidência Cultural está cumprindo um ano de vida e lança o projeto “Um Ano com Arte”.

O ano esta chegando ao fim, e mesmo com todas as adversidades, acredito que foi um ano muito proveitoso, tivemos vários espetáculos, musicais, a reabertura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Mesmo sem os tradicionais festivais no Rio de janeiro, tivemos vários destaques como, por exemplo, Mayara Magri 1º lugar no festival de Joinvile e considerada a melhor bailarina do festival, e tantas outra que conseguiram superar as dificuldades e ganharam bolsas e vários prêmios. Mas acredito que estes prêmios não tenham tanto valor quanto o aprendizado que veio com ele, mesmo os que não ganharam prêmios, tenho certeza que adquiriram experiência tanto de palco como de vida.

Esta é a ultima edição do ano, e quero aproveitar para desejar à todos um Feliz Natal e um 2011 repleto de saúde e realizações e que cada um de nós, com nossas atitudes possamos continuar fazendo a diferença para um futuro melhor.

Espero que gostem das matérias e se quiserem obter mais detalhes sobre elas, ou até mesmo sugerir algum outro assunto, envie um e-mail para nosso endereço, kercheekerchenews@gmail.com, é possível acessar o jornal através de nosso blog https://kercheekerchenews.wordpress.com.

Boa Leitura e até o próximo.

Yuri Kraszczuk

 

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Por Roberta Camargo

Thiago Soares

Em uma das suas rápidas passagens pelo Brasil, o destaque do Royal Ballet of London, Thiago Soares, nos falou sobre sua vida e a dança, que, para o bailarino, são uma coisa só. Aos 29 anos, Thiago já conta com uma longa carreira artística, marcada por apresentações no mundo todo. Muito humilde, a boa energia do rapaz tornou a entrevista contagiante. Confira porque Thiago Soares é um dos grandes nomes da dança na atualidade, não só profissionalmente, mas como personalidade também.

K.K.: Quando você começou a dançar?

T.S.: Não foi uma coisa que eu decidi. A dança foi meio que me chamando aos poucos. Comecei dançando street dance na Academia de Dança Spinelli. O grupo Jazz de Rua do Rio de Janeiro viajava pras competições nacionais. O fator de performance na dança me fascinou; de você chegar em um lugar, começar a dançar e prender a atenção de todos. O coreógrafo do grupo disse-me que eu tinha perna e pescoço longos, pés esticados, e que eu podia fazer ballet, jazz e dança contemporânea pra me aperfeiçoar no street dance. Eu tinha uns 14 ou 15 anos e isso de dança clássica, com sapatilha e tal, era muito distante. Mas ele me indicou para o curso profissionalizante no Centro de Dança Rio. Ganhei bolsa direto, precisavam de um menino. Só que era obrigado a fazer jazz, ballet clássico, anatomia, dança afro, tudo que envolve o curso. Comecei todo perdido, fazendo aula de meias!

K.K.: Como era o Thiago nesse início de carreira?

T.S.: Até mais ou menos a idade em que comecei a dançar, sempre fui um ninguém (risos).  Era o magrelo, nunca fui o bonitinho, o popular; e com a dança, podia ser alguém. Deram-me a maior força, e representei a escola em competições nacionais. Em 1998 ganhei o CBDD. Fui representar o Brasil no exterior. Eu não tinha nem dois anos de ballet! Mas ganhei nossa primeira medalha de prata. Antes dessa não tivemos nenhuma, e meio que entrei pra História da Dança, consequentemente. As portas se abriram e me convidaram pra ir pro Theatro Municipal (do Rio de Janeiro). Naquele momento percebi que essa seria minha profissão. Comecei como solista. Dançava pelo país até que, em 2001, fui com a Roberta (Marquez) representar o Brasil em Moscou. Fui pro Oscar da dança clássica! Foi um sonho se tornando realidade. Estava muito inseguro porque fomos competindo no sênior. Ganhamos prêmio como casal, e trouxe o ouro como bailarino. Isso me marcou muito, porque aí tudo deslanchou. Fui convidado pra dançar no exterior. Mas volta e meia eu voltava pro Brasil pra dançar algo.

K.K.: Você nunca deixou o Brasil, então?

T.S.: Sempre tentei me manter por aqui. Depois do concurso fui chamado para estagiar no Kirov, em São Petesburgo. Foi muito difícil porque estagiário não faz nada, só fica lá atrás, no fundo, aprendendo, fazendo muita aula. Mas era uma grande oportunidade de estar ali para ganhar experiência. Fui convidado pra dançar na Cia Estadual de Moscou, e fiz um tour com vários ballets de repertório. Minha bagagem aumentou, pois fiz vários grandes papéis. Nas férias eu vim para o Rio, e me aconselharam a procurar algo mais consistente.

K.K.: Foi aí que você entrou para o Royal?

T.S.: Decidi fazer a audição. Eles disseram que já sabiam que eu dançava há um bom tempo, mas que eu tinha que começar de baixo. O Royal é uma Cia que te dá um banho de “british style”. No início foi muito ruim, porque você é sempre o príncipe, o “tal”, e chegando lá meu lugar era no fundão. Quando alguém se machucava a diretora me dava alguns papéis. Fiz todo tipo de papel. Foi um passo que dei para trás e que me valeu três passos para frente. E o Royal é uma Cia maravilhosa. É realmente tudo aquilo que a gente sonha.

K.K.: Daí você rumou para o estrelato…

T.S.:  Foi quando a coisa estourou. Em 2006 fui promovido à estrela da Cia e a minha vida mudou. Minha agenda começou a ficar bem internacional. Mas o mérito não é só meu, minha trajetória foi muito saber ouvir as pessoas que me davam toques. Tive muita sorte de tê-las ao meu lado, porque às vezes você é um bom artista mas é mal dirigido. Tive a sorte de estar no lugar certo e no momento certo com as pessoas certas, que sempre me ajudaram com incentivos e conselhos. Estou bastante contente com esse momento da minha carreira, porque dança é uma carreira difícil.

K.K.: Você abdicou de muita coisa?

T.S.: Sim. Mas sempre tentei balancear diversão e trabalho. Até porque como artista você tem que viver experiências pra ir enchendo sua mochila. Tem muita carreira por aí que você trabalha demais e só consegue se estabilizar aos 45 anos. Com a dança, já consegui minha estabilidade. Agradeço a Deus sempre, pois sei que poucos podem viver isso tão jovem.

K.K.: Quantas sapatilhas você gasta por mês? A rotina de trabalho é de quantas horas por dia?

T.S.: Uso quantas eu quiser, eles me dão. Não muito. Umas 4 ou 5 por mês. Tem menina que usa duas por dia. Lá, tem dias que pegamos de 10h e meia da manhã até meia noite, porque tem espetáculo. Às seis tem uma pausa para comer, essas coisas, e você se apresenta. Agora que sou primeiro bailarino não trabalho quando o espetáculo é de tarde, só me apresento. Mas tem dias que você tem dois espetáculos, um atrás do outro.

K.K.: Você está em Londres, esteve em Moscou, viajou pelo mundo… Como é a diferença no tratamento das pessoas? O contraste dos estrangeiros, com a gente?

T.S.: O público do Brasil e os colegas em geral são gente maravilhosa. Aqui é um ambiente super  bacana, o calor cotidiano daqui é incomparável. Já me acostumei com muita coisa da cultura inglesa. Eles são mais contidos, mais reservados. E os russos são ótimos, sempre gostei de trabalhar com eles. O público no exterior é mais controlado, o pessoal daqui é mais caloroso. Eles reverenciam o artista, mas isso tem muito haver com a identidade do povo. Nunca sofri preconceito por ser brasileiro, pelo contrário; por esse fato, as pessoas se atraem mais. Acho que elas vêem no brasileiro algo de exótico.

K.K: Você sempre fez clássico?

T.S.: No Royal a gente faz muitas coisas modernas. É uma carreira tão bonita, a de dança. Quem entende o que é dançar sabe o quanto é difícil parar de dançar. É um poder físico que temos, é um dom. No mundo todo há bailarinos que trabalham de graça. Em outra profissão as pessoas não entenderão isso. Há uns dois atrás arrebentei a fáscia plantar, uma lesão braba. Fiquei de muletas. Foi quando pensei: a dança é minha vida, sem a dança não sou nada. Pensei em aprender outras profissões. Fiz um pouco de backstage, e me fascinou. A vida de artista pode te levar para outras águas. Pretendo aprender coisas diferentes, mas num futuro bem distante.

K.K.: E o apoio da família, rolou preconceito? E com os amigos?

T.S.: Meu pai nunca teve preconceito com dança. Ele sempre soube que eu era um jovem adulto. Ele não se preocupava com meu caráter, com a minha constituição com relação à orientação sexual. A preocupação dele foi com o dinheiro, porque no início era tudo contadinho. Mas quando entrei pro Theatro e comecei a ganhar mais que ele, meu pai relaxou. Ele e minha mãe são grandes fãs meus. Mas na escola tiveram muitas zoações. Coisa de garoto, nada que me fizesse mal. Um dia, um amigo ligou pra minha casa e minha mãe disse: “O Thiago tá nesse negócio de ballet.” Meu amigo respondeu: “Como é? Conta isso direito, tia!” (risos). Mas acho que o preconceito está na gente. Criou-se uma mentalidade com relação à profissão. Tem muito gay em ballet? Tem. Mas o mundo é gay! O fato de você ser gay ou não, para mim, não tem nada haver.  Esse movimento de preconceito na dança é só com os homens; tem muita mulher lésbica que dança e ninguém comenta. Temos que mudar essa mentalidade antiga. Hoje em dia isso nem existe na Europa. Isso é pra dar o que falar e criar barreiras pra dança aqui no Brasil.

K.K.: O que nos atrasa?

T.S.: Falta de apoio político financeiro. A dança aqui sofre por não ser como na Europa, em que a prioridade é saúde, cultura e educação. Aqui cultura vem por último, atrás de tudo. Se a cultura fosse vista como prioridade a dança estaria bem melhor, teriam mais espetáculos, públicos maiores, etc. Precisamos de apoio, basicamente de dinheiro para dar infra-estrutura para a cultura. Precisamos de mais mercado pro artista. Na Europa é totalmente diferente. Lá fora é tradição ir ao teatro, as pessoas se arrumam para assistir a um espetáculo. Aqui não há isso, acho que em parte pelos teatros serem mal cuidados. Não tem glamour nenhum reunir a família e ir a um teatro aqui. Ir a um Lincoln Center, por exemplo, torna o dia inesquecível. As pessoas querem voltar porque o ambiente é muito bacana e os espetáculos são ótimos. Precisamos reviver essa cultura de ter bons teatros e grandes espetáculos. A cultura ajuda as pessoas a viverem melhor. Um bom espetáculo faz bem a qualquer um.

 

Pilates para a Dança

novembro 19, 2010

por José Luiz Bastos Melo

Tema: Pilates para bailarinos

José Luiz

Na coluna anterior, estávamos falando do trabalho dos músculos abdominais e sua importância para os bailarinos, falamos também da importância do encaixe da bacia para se obter um bom “en dehors”.

Vamos agora explicar isto.

A principal musculatura responsável pelo “en dehors”, esta localizada profundamente nos quadris, abaixo dos glúteos, ligando a cabeça do fêmur às bordas do sacro e parte interna da bacia, mantendo intima ligação com o conjunto de músculos do Assoalho Pélvico (musculatura que forra o fundo da bacia), esta musculatura do Assoalho Pélvico, ou perínio, por sua vez, tem como uma ação secundária, a verticalização do Sacro. Portanto, para a musculatura do “en dehors” exercer sua função com eficiência, precisa que o  sacro esteja estabilizado e ligeiramente verticalizado pela musculatura do Assoalho Pélvico e de uma bacia e coluna lombar estabilizados pelos  abdominais, podemos concluir então, que para um trabalho eficiente do “en dehors”., deverá haver uma sincronia entre estes grupos musculares, e é ai que se encaixa perfeitamente o trabalho do Pilates; fornecendo exatamente este treinamento muscular. Através do treino de ativação dos abdominais, em especial o músculo Transverso,  em conjunto com o Assoalho Pélvico, o bailarino obtém uma estabilização da bacia, isto vai permitir que as pernas rodem em “en dehors”, sem desencaixar e de modo mais eficaz, e esta mesma estabilização da bacia pelos abdominais junto com o Assoalho Pélvico dará a sensação de maior leveza nas pernas nos développés. Este trabalho dos abdominais, é um trabalho complementar as aulas de Ballet, que traz muitos benefícios, especialmente porque diminui a necessidade do bailarino ficar contraindo os glúteos para se manter encaixado, os glúteos são músculos estabilizadores da bacia, e portanto, se ficarem contraídos para manter o encaixe, vão prender as pernas.

Abordando outra característica do Pilates, que é muito útil aos bailarinos, temos o trabalho com molas, talvez seja esta a característica mais conhecida do método. O trabalho com molas permite o ganho de força sem tanto estímulo ao desenvolvimento da massa muscular. Uma característica bem pronunciada deste trabalho, é a maior solicitação das fibras musculares à medida que vamos esticando a mola, porque quanto mais esticamos a mola maior será sua resistência, caracterizando um trabalho muscular que chamamos de Contração Concêntrica, e ao retornar  o movimento, a mola fará uma força de retorno, implicando em um esforço muscular de controle para que a mola não volte subitamente, exercendo pelo praticante um outro tipo de contração, a contração Excêntrica, que desenvolve significativamente a força sem tanto desenvolvimento da massa muscular. Constatamos então um duplo trabalho muscular. Esta dupla contração, quando aplicado com exercícios nas extremidades de braços ou pernas, gera uma co-contração dos músculos do tórax, chamada de contração Isométrica, é a contração muscular que não gera movimento, mas estabiliza o segmento, para que ocorra o movimento com precisão, que no caso do Pilates, é dada grande importância a contração Isométrica dos abdominais como estabilizadores da bacia coordenados com a respiração.

A título de curiosidade, o Pilates foi descoberto como um aliado a preparação física aos bailarinos, na década de 40, principalmente entre os bailarinos das Cias.  Ruth St. Denis, Ted Shawn, Martha Graham, George Balanchine e Jerome Robbins.

 

 

Coluna do Florião

novembro 19, 2010

por Luís Florião

 

Luís Florião

Semana da Dança de Salão do Rio de Janeiro: todo mundo vai dançar!

Professores e dançarinos vão, de 21 à 27 de novembro, aproximar ainda essa arte para o grande público, de forma unida e organizada. Esse é o principal objetivo do evento.

Porque divulgar a Dança de Salão?

Estamos em um momento especial para as danças sociais. A dança de salão vem obtendo importantes conquistas: recentemente a Semana da Dança de Salão do Rio de Janeiro passou a compor oficialmente o calendário cultural do nosso estado;  conseguimos que a nossa arte fosse reconhecida, em nosso estado, como patrimônio imaterial e unimos forças, juntando a Andanças, a APDS e o SPDRJ – Sindicato dos Profissionais da Dança do Rio de Janeiro em prol do crescimento da Semana da Dança e da Dança de Salão.

O evento pretende fazer com que todos percebam a força das danças sociais enquanto movimento cultural, promovendo uma divulgação fidedigna, mostrando como ela realmente é, e não carregada de estereótipos. Fazer perceber que a dança de salão não pertence a um mundo perdido no passado – ela é uma prática viva e presente, acessível a todos.

Quem lida com dança, conhece todas vantagens e o bem-estar que o dançar a dois proporciona; desfruta de ambientes agradáveis, freqüentados por pessoas alegres, sociáveis e cheias de vida, onde aprende-se a respeitar e a gostar mais de si e do outro. Ouve-se boa música, sabe-se reconhecer os diferentes ritmos e expressar os sentimentos através dos movimentos. Tem a criatividade aguçada, o riso fácil, o corpo ágil – treinado sem sofrimento.

É uma das poucas formas de lazer que despertam o interesse de todas as faixas etárias, facilitando a participação de crianças, jovens e adultos – que efetivamente, colorem os salões do país de diversidade. Nos ambientes de dança de salão não há barreiras sociais ou de credo e reina a paz. Ou alguém já viu baile de dança de salão com sistema de segurança ostensiva?

Apesar de tudo isso, um público ainda relativamente pequeno tem a oportunidade de ver de perto um casal dançando um ritmo de salão e a grande maioria sequer tenta o primeiro passo de dança, pensando ser preciso dotes especiais.

Daí a justificativa para o “Semana da Dança de Salão do Rio de Janeiro” que propõe estratégias simples que podem tornar mais eficazes os esforços, antes isolados, para ampliar a popularidade e a tradição das danças de par.

A Semana da Dança de Salão do Rio de Janeiro conta com o apoio e/ou participação de inúmeros profissionais e entidades entre eles: a Academia de Dança Luís Florião, Espaço X – Stelinha Cardoso, o Crie Fabrik, o Jornal Falando de Dança, Jornal Rio em Movimento, Studio de Danças e Artes Bangu e, entre muitos outros, a Juliana Prestes Comunicação.

A coordenação está a cargo das entidades: SPDRJ – Sindicato dos Profissionais da Dança do Rio de Janeiro, a APDS – Associação dos Profissionais de Dança de Salão do Rio de Janeiro e a Andanças- Associação Nacional de Dança de Salão.

 

Fonte: Instituto AKATU  (http://www.akatu.org.br)

Perda, alteração e fragmentação de habitats, exploração de espécies selvagens, poluição e mudança do

clima são as principais ameaças.

Nos últimos 40 anos, o consumo excessivo dos recursos naturais cresceu a um ritmo acelerado e hoje já consumimos 50% mais do que a capacidade de renovação do planeta, seja em ar limpo, água potável, terra ou recursos naturais e agrícolas. O resultado desse excesso é a perda da biodiversidade mundial, que chegou a 30% no período.

Os dados são da edição de 2010 do Relatório do Planeta Vivo, da Rede WWF, publicada mundialmente em treze de outubro. Produzido a cada dois anos, o relatório Planeta Vivo relaciona o Índice Planeta Vivo  (IPV) – um indicador da saúde da biodiversidade mundial – com a Pegada Ecológica e a Pegada Hidrológica, medidas de demandas da humanidade sobre os recursos naturais renováveis da Terra.

A pegada ecológica, um dos indicadores da devastação ambiental utilizado neste relatório, mostra que a demanda da humanidade por recursos naturais duplicou desde 1996 e que atualmente, utilizamos o equivalente a um planeta e meio para sustentar nosso estilo de vida. Se continuarmos a viver além da capacidade do planeta, até 2030 precisaremos de uma capacidade produtiva equivalente à exploração de dois planetas.

Segundo o relatório, os ricos demandam mais recursos, mas a degradação e a conseqüente perda da biodiversidade são mais acentuadas nas regiões tropicais – como o Brasil –, que também são as mais pobres, onde houve uma queda de 60% das espécies de plantas e animais. Nas regiões temperadas (mais ricas), houve uma recuperação de 29% das espécies, graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo.

“É alarmante o ritmo da perda de biodiversidade que se verifica nos países de baixa renda, em sua maioria, situados  nos trópicos, enquanto o mundo desenvolvido vive num falso paraíso, alimentado pelo consumo excessivo e elevadas emissões de carbono”, alerta Jim Leape, diretor geral da Rede WWF.

O documento aponta a perda, alteração e fragmentação de habitats, a exploração excessiva de espécies selvagens, a poluição e a mudança do clima como os principais fatores que ameaçam a biodiversidade.

Consumo desigual

O relatório reafirma um dado que já é conhecido: além de excessivo, o consumo é desigual. O excesso é predominante em nações mais ricas. Apenas os 32 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – grupo das economias mais ricas e industrializadas do planeta – são responsáveis pelo consumo de 40% dos recursos disponíveis.

Brasil, Rússia, índia e China não fazem parte da OCDE, mas, somados, têm o dobro dos habitantes dos países do grupo. O relatório alerta que, mantido o atual modelo de desenvolvimento, os chamados países emergentes seguirão a mesma trajetória de degradação ambiental dos ricos.

“Seriam necessários quatro planetas e meio para atender a uma população mundial (6,8 bilhões de pessoas) com um estilo de vida equiparável ao de quem vive hoje nos Emirados Árabes ou nos Estados Unidos”, alerta Leape.

Mudanças climáticas

Segundo o documento, devido ao aumento da geração e emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e processos industriais, o planeta entrou em uma espécie de “cheque sem fundo” ecológico.

Nossa pegada de gás carbônico, principal causador do efeito estufa, aumentou em 35% nos últimos 20 anos e atualmente é responsável por mais da metade da pegada ecológica global.

Segundo o documento, os dez países com a maior pegada ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda.  O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking.

Mais uma vez, a maior pegada é a dos países de alta renda. Em média, a pegada desses países é cinco vezes maior do que a dos países de baixa renda.

“As espécies são à base dos ecossistemas,” afirmou Jonathan Baillie, diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres, entidade que participou do levantamento.  “Ecossistemas saudáveis constituem as fundações de tudo o que nós temos – se perdemos isso, destruímos o sistema do qual depende a vida”, completou Baillie.

Brasil

O Brasil possui uma alta biocapacidade – relação entre a área disponível para agricultura, pastagem, pesca e florestas e o potencial de produtividade –, mas isso não nos coloca em uma situação confortável.

“A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”, destaca a Secretária-Geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

Para Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, o consumo das riquezas naturais é indispensável para a vida no planeta e é fator determinante do crescimento econômico. “O que precisamos é consumir menos e diferente. Ou seja, consumir de forma mais responsável, buscando um equilíbrio entre nossas necessidades e a capacidade da renovação da Terra”.

“O principal benefício do relatório, é servir de ferramenta para os tomadores de decisão estimularem uma economia de baixo carbono, uma economia verde, criando novas oportunidades de crescimento para o país e protegendo os serviços ecossistêmicos que são a base de nosso desenvolvimento econômico”, afirma Hamú.

 

A Primeira Bailarina do TMRJ, Ana Botafogo

 

O Rioprevidência Cultural chega a um ano de existência e, para comemorar, lança o projeto “Um Ano com Arte”, evento que ocorrerá de segunda à sexta, das 9h às 17h, até dezembro. O projeto tem como tema a homenagem à primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro Ana Botafogo, celebrando seus 35 anos de carreira com a exposição “Do balé ao samba Ana Botafogo encanta”. O acervo, cedido pela própria bailarina, detalha sua trajetória da infância aos dias atuais com 33 painéis, vídeos e até objetos pessoais de Ana Botafogo.

A programação voltada para a dança, em especial para o ballet clássico, oferece, além das palestras, das exposições e dos shows de música, uma grade fixa de atividades como cursos de línguas, aulas de teatro e ginástica, oficinas de mosaico, entre outras. A entrada e a participação é gratuita.

A abertura do projeto, no dia 8 de novembro, será com a apresentação do grupo “Dançando pra não dançar”, às 16h. Já o encerramento, no dia 3 de dezembro, contará com a apresentação da Escola de Dança Spinelli, no mesmo horário. O “Um Ano com Arte” será na Avenida Professor Manuel de Abreu, 300, no Maracanã. Para maiores informações, o telefone de contato é (21) 2334-2207.

 

PROGRAMAÇÃO DE NOVEMBRO

Projeto Um Ano com Arte

08/11 – Abertura para o público com apresentação do grupo “Dançando

Pra Não Dançar” às 16h.

09/11 – Oficina de adereços das 14h às 16h

Apresentação do trabalho do aderecista Manoel Prôa do Theatro Munici-

pal.

11/11 – Oficina de adereços com Manoel Prôa das 14h às 16h

12/11 – Apresentação de balé com Escolas de dança

16/11 – Oficina de adereços com Manoel Prôa das 14h às 16h

17/11 – “Nos bastidores com Ana Botafogo” às 16h.

Palestra com a publicitária Liana Riente que conta um pouco sobre os

bastidores da dança ao lado de Ana Botafogo.

 

18/11 – Oficina de adereços com Manoel Prôa das 14h às 16h

19/11 – Apresentação de balé com escolas de dança da região

22/11 – Sessão pipoca: Filme “Três Momentos do Amor” com direção de

Lilia Barreto às 15h.

23/11 – Oficina de adereços com Manoel Prôa das 14h às 16h

24/11 – Palestra e apresentação de documentário com alunos da FACHA

sobre a vida e trajetória artística de Ana Botafogo às 16h

25/11 – Oficina de adereços com Manoel Prôa das 14h às 16h

26/11 – Apresentação de balé da Escola de dança Petite Danse às 16h

30/11 – Oficina de adereços com Manoel Prôa das 14h às 16h

02/12 – Oficina de adereços com Manoel Prôa das 14h às 16h

03/12 – Apresentação de balé da Escola de dança Spinelli às 16h.

 

por Roberta Camargo

O assunto “cuidados médicos”, teoricamente, deveria ser corrente no meio de dança. Infelizmente, na prática, isso não acontece. Sabe-se que os bailarinos, no geral, costumam fugir dos consultórios. Visitas que deveriam ser regulares só ocorrem muito em última instância, quando os bailarinos se machucam muito seriamente. Mesmo assim, é difícil seguirem recomendações médicas, talvez porque os doutores não estão acostumados  a lidar com as lesões causadas por movimentos específicos, e podem vir a ser radicais, segundo a ótica dos próprios bailarinos. Um pouco de irresponsabilidade dos artistas; um pouco de falta de conhecimento por parte dos médicos; ambos geram uma tensão que não é benéfica nem para um lado, nem para a saúde do outro.

Para saber mais detalhes, fomos atrás do principal médico ortopedista do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O Dr. Carson tem 31 anos de vivência no meio, fazendo acompanhamento dos bailarinos até mesmo em viagens.  Segundo ele, não há uma preocupação regular com a saúde: “Só quando se machucam. E não há um trabalho preventivo no geral.” O médico acredita que quem cuida da saúde dos profissionais de dança deve ter um conhecimento sobre as coreografias que os bailarinos estão ensaiando, devido à movimentação e aos grupamentos musculares usados. “É preciso tonificá-los, fazer um aquecimento prévio. O bailarino tem que conhecer seus limites.”, afirma. Os doutores deveriam relacionar as patologias específicas que surgem da convivência em dança– o que Dr. Carson chama de “teoria da especificidade de movimento” – ; realizando uma orientação preventiva junto aos pacientes. Além disso, ele diz que esse acompanhamento médico regular é muito raro nas companhias de dança Brasil afora: “Talvez somente no ballet profissional. Fora disso, os coreógrafos fazem muita pressão, as apresentações são em cima da hora, e muitas vezes não há substitutos para os papéis. Conheço muitas companhias que encaminham a colegas meus de profissão, mas não vejo médicos trabalhando dentro dessas companhias.”, diferentemente do Theatro, onde, segundo ele, o trabalho é árduo, consumindo 2/3 do dia.

Em comparação ao exterior, a situação é outra: “Lá fora os médicos são mais radicais. Mandam logo o bailarino parar de dançar.” E eles obedecem? “Não há saída. Aqui, só quando a situação se complica é que eles ouvem as ordens médicas”, entrega. “Quando eles vem machucados pra mim, tento selecionar o que podem fazer ou não. O trabalho na dança moderna é diferente do da dança clássica; os procedimentos com o en dedans diferem dos com o en dehors”, diz o médico.  Dr. Carson ainda deu uns conselhos para aqueles que amam dançar e desejam estar em dia com a saúde: “Muitas horas de sono, boa alimentação, hidratação e roupas leves.” Em um mundo de entrega total à dança, muitos bailarinos negligenciam sua saúde em nome do amor por dançar. Para eles, o doutor reforça: ”Devem principalmente respeitar seus limites.”. Está mais do que na hora de colocar a teoria, na prática. Os corpos dos bailarinos agradecem.