Yuri Kraszczuk

Caros Amigos,

É com muito prazer que lhes escrevo novamente.

Mais uma vez não posso deixar de agradecer a todos que enviaram e-mails e mensagens através do nosso blog, que no mês passado atingiu um número expressivo de acessos, chegando a mil visitantes. Muito obrigado por prestigiar nosso trabalho e nos dar este retorno tão agradável.

Quero agradecer a Media Mania Comunicação & Imagem por nos ceder gentilmente  material sobre a companhia “Les Ballets Trockadero de Monte Carlo”

O KERCHE & KERCHE NEWS em sua terceira edição vem cheio de novidades, nossa correspondente Roberta Camargo esteve em Joinville e nos conta um pouco do que aconteceu no maior evento de dança do país.

Na coluna Saúde o fisioterapeuta José Luiz Bastos Mello trás o segundo artigo da série PILATES PARA DANÇA, que fala sobre a utilização das técnicas do pilates como auxílio a dança. Temos a estréia da “Coluna do Florião” que traz para vocês novidades sobre os bailes cariocas, o que rola na dança de salão da cidade, um aspecto histórico interessante ou uma dica bacana de Luiz Florião.

E mais, como funciona os bastidores de um musical do porte de “Gaiolas das Loucas” e uma entrevista com o Mâitre de ballet Eric Frederic

Espero que gostem das matérias e se quiserem obter mais detalhes sobre elas, ou até mesmo sugerir algum outro assunto, envie um e-mail para nosso endereço, kercheekerchenews@gmail.com, a partir desta edição, é possível acessar o jornal através de nosso blog https://kercheekerchenews.wordpress.com, lá estarão disponíveis papéis de parede para deixar seu computador na moda e as outras duas edições.

Boa Leitura e até o próximo.

Yuri Kraszczuk

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Les Ballets Trockadero

agosto 25, 2010

“Elas” dançam nas pontas dos pés – mas as sapatilhas são tamanhos acima dos 40. De perfil, revelam pomos de adão e um semblante um tanto diferente para quem se acostumou as delicadas bailarinas. Tem pelos debaixo dos braços, são mais altas que o normal, deixam a desejar no quesito “beleza”. Mas a maquiagem é impecável, e a técnica idem. O repertório é de primeira, mas para o público resta a surpresa de assistir aos clássicos da dança de uma forma nunca vista antes.

O nome é “Les Ballets Trockadero de Monte Carlo”. Há 36 anos a companhia surgiu para dar um sopro de humor no cenário da dança. No elenco apenas homens, no repertório as principais peças do repertório clássico mundial, e a proposta: fazer graça com a arte do balé mas mostrando, ao mesmo tempo, uma técnica impecável. O resultado? Um sucesso. Em sua história a companhia se firmou no cenário artístico internacional, apresentando-se em festivais e turnês por todo o mundo, conquistando prêmios e o respeito da crítica especializada internacional.

E o mais importante: levando sempre o público a gargalhadas incontroláveis. No palco os integrantes do Trockadero brincam – literalmente – com a dança. Exageram os passos, derrubam-se uns aos outros, demonstram inveja, brigam por um lugar melhor na ribalta e usam e abusam dos “clichês” da dança clássica.

Três anos após sua última passagem pelo país, a companhia está de volta para apresentações no Rio de Janeiro (24 de agosto e 25 de agosto, Theatro Municipal) e em São Paulo (27 e 28 de agosto, no Teatro Bradesco).

No programa “ChopEniana” (também conhecida como Lês Sylphides), “La Vivandiere” e um dos clássicos do Kirov, “As Bodas de Raymonda”, com coreografia do célebre Marius Petipa.

Uma História de Sucesso

Fundado em 1974 por um grupo de entusiastas da dança clássica, com a finalidade de realizar uma paródia travestida das formas tradicionais do balé clássico, Les Ballets Trockadero de Monte Carlo surge inicialmente nos horários noturnos da Off-Off Broadway. Os Trocks, como são carinhosamente conhecidos, rapidamente obtêm crítica positiva de Arlene Croce na conhecida revista The New Yorker que, juntamente com as críticas subseqüentes publicadas no New York Times e no Village Voice, começaram a estabelecer o êxito artístico da companhia.

Desde o início os Trocks se estabeleceram como um fenômeno mundial de proporções alucinantes. Eles participaram de festivais de dança na Holanda, Madri, Montreal, Nova Iorque, Paris, Turim e Viena, e participaram de diversos programas de televisão por todo o mundo e

realizaram especiais para redes de TV educativa no Japão, Alemanha e França.

Em 2006, após uma temporada que assinalou recordes de venda em Londres, a companhia recebeu o prêmio de Excelência em Dança, no quadro dos Prêmios TMA (Theatrical Management Awards), assim como o prêmio por Repertório Destacado da Associação dos Críticos de Dança de Londres (Dance Critics Award). Em 2007, como resultado do grande êxito obtido em apresentações em Roma e Milão, a companhia recebeu o cobiçado “Massina/Positano Award”, em Positano, Itália.

As numerosas apresentações de Les Ballets Trockadero de Monte Carlo obtiveram grande sucesso, desde a sua estréia em 1974, a companhia apresentou-se em mais de trinta países e trezentas cidades. Atualmente vêm empreendendo temporadas mais longas, incluindo visitas recentes, por várias semanas, a Amsterdam, Barcelona, Beijing, Berlim, Buenos Aires, Caracas, Colônia, Hong Kong, Johannesburgo, Lisboa, Londres, entre outras.

A companhia se apresenta regularmente em galas internacionais em prol de organizações relacionadas com a AIDS, como a DRA (Dancers Responding to AIDS), e “Classical Action” em Nova Iorque, “Life Ball” na Áustria, “Dancers for Life”, em Toronto, e “Stone Wall”, em Londres.

O conceito original de Les Ballets Trockadero de Monte Carlo não foi modificado desde a sua criação: é uma companhia formada por bailarinos profissionais, do sexo masculino, especializados no repertório clássico e originais do estilo russo. A comédia é atingida a partir do exagero das circunstâncias da narrativa da dança clássica, dos acidentes e da incongruência das coreografias.

O fato de os homens executarem todos os papéis — o peso de um homem equilibrando-se precariamente nas pontas dos pés e pretendendo ser cisne, sílfide, ninfa das águas, princesa romântica e mulher vitoriana — engrandece, ao invés de ridicularizar, o espírito da dança clássica.

A companhia dá prosseguimento aos seus planos, com o acréscimo de balés inéditos para ampliar o repertório e novas visitas a cidades e países, mantendo desta forma o propósito original da companhia, que é levar o prazer e o divertimento da dança à maior audiência possível. O que fizeram nos últimos trinta e seis anos é o que os espera no futuro.

RIO DE JANEIRO

Dias: 24 e 25 de agosto

Local: Theatro Municipal Rio de Janeiro

Endereço: Praça Floriano s/n. Centro Hora: 20h

Vendas:

Theatro Municipal – Praça Floriano

Tel: (21) 2262-3501

Disque Dell`Arte: 32358545/2568 8742

http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/                      Censura: Livre                                                                                               Preço:

Frisa e Camarote  R$ 900,00

Balcão Nobre e Platéia  R$ 150,00

Balcão Simples  R$ 80,00

Galeria R$ 40,00

Assessoria de Comunicação Nacional:

Media Mania Comunicação & Imagem

mediabox@mediamania.com.br

http://www.mediamania.com.br

Para maiores informações sobre da turnê acesse o site acima.

Eric Frederic

agosto 25, 2010

por Roberta Camargo

Eric Frederic

O Kerche&Kerche News conversou com Eric Frederic, mâitre de ballet que ensaia os bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro há, aproximadamente, um ano. Muito simpático, o belga nos contou detalhes sobre a sua vida, o cotidiano dos ensaios e as suas impressões sobre a dança no Brasil. Confira a entrevista completa com o dono do Estúdio Colombe, em Paris, França.

K&K News: Como foi a sua trajetória na dança até chegar aqui em nosso país?

Eric: Comecei indo para Bordeaux (região da França internacionalmente reconhecida pela intensa produção vinícola) especialmente para dançar. Acabei me tornando um especialista em vinhos também! (Risos) Dancei primeiro em musicais; mas passei pelo jazz, pelo ballet clássico, e até por óperas. É muito importante passar por todos os estilos de dança se um bailarino quiser ser completo. Agora é um costume ir direto para grandes escolas, porém é muito bom começar a carreira passando por tudo, aprendendo um pouco de cada coisa, pra que se possa ganhar experiência.

K&K News: Aonde você já dançou? Ainda atua como bailarino profissional?

Eric: Já dancei em muitos lugares . Um deles foi no corpo de baile francês em Flandres (Ballet Real de Flandres). Encerrei meu trabalho profissional como bailarino aos 38 anos, mas continuo dando aulas e coreografando.

K&K News: Além do Theatro, onde mais você dá aulas?

Eric: Tenho um estúdio próprio em Bordeaux, que é voltado para o público amador, somente para os adultos. Fazemos espetáculos não-profissionais, e temos alunos dos mais variados tipos, como dentistas ou médicos.

K&K News: Como foi vir para o Theatro no Brasil?

Eric: Recebi um convite para ser professor aqui. Vim fazer uma entrevista com a Dalal Achar, e o Municipal me queria de início por apenas seis semanas. Só que já estou há quase um ano (risos). Estamos inclusive ensaiando um espetáculo de coreografia moderna para esse mês (a entrevista foi feita em julho). Dou aulas de dança clássica, mas quando surgem espetáculos como esse pra que estamos ensaiando, trago elementos da dança moderna para melhor prepará-los para os ensaios. O nosso trabalho diário acaba ficando mais físico, mais aberto, diferenciado.

K&K News: Como está sendo a experiência de trabalhar aqui?

Eric: Estou adorando, é maravilhoso! As pessoas daqui são muito mais abertas, mais receptivas e calorosas. Difere muito da Europa, onde elas são mais fechadas. E aqui os bailarinos têm um corpo diferente, característico do povo brasileiro. É muito mais gostoso trabalhar no Brasil.

K&K News: A rotina de dança no exterior é bem diferente da nossa. Quais são as diferenças mais gritantes?

Eric: Nós ensaiamos de 10h da manhã às 16h da tarde; essa rotina, quando comparada com a européia, é muito confortável. Lá fora tudo é mais estruturado também, aqui é um pouco mais “cru”. Entretanto, essa história de que eles são mais compromissados e aplicados é ilusão. Os bailarinos europeus costumam reclamar e desistem rápido quando vêem uma nova proposta. Aqui, vocês fazem de tudo; as novas idéias são sempre bem recebidas. Isso é ótimo para um professor-coreógrafo, porque todos se aplicam, e, sem reclamações, os bailarinos aprendem logo as coisas novas, crescendo mais a cada dia. Vocês são muito mais aplicados e mais dedicados. Na escola é bem estruturado, e as coreografias mais difíceis e elaboradas eles fazem. Em pouco tempo a coreografia sai muito bem, às vezes em uma semana!Os bailarinos daqui querem sempre dar o melhor de si, abrem totalmente o coração pro professor-coreógrafo. Na Europa isso é impossível, as pessoas são mais lentas e mais complicadas, e tudo também é mais caro. Meus amigos franceses concordam comigo dizendo que é muito melhor de se trabalhar no Brasil.

K&K News: Qual a sua visão da dança no nosso país?

Eric: É muito positiva. Há muitas companhias clássicas e contemporâneas boas. Vocês têm um bom lado contemporâneo. Assisti a uma coreografia muito bonita do Alex Neoral, em que os bailarinos tinham base clássica. Esse é um país de dança! Todos os brasileiros dançam a todo tempo. Depois dos jogos da Copa do Mundo de futebol, todos iam pra rua dançar. É um povo que dança muito, deveria se exportar mais essa dança pelo mundo.

K&K News: Você acha que temos oportunidade de crescimento no meio de dança?

Eric: Claro que sim. Já há companhias que vão para fora para divulgar seus trabalhos, como a Deborah Colker, que anda pela Europa. Acho que o Theatro também deveria fazer uma turnê pela Europa pra propagar a cultura brasileira. Isso é uma sugestão minha,  de repente uma turnê com um ballet clássico que explore a cultura própria do país.

K&K News: Vale à pena tentar uma carreira fora do Brasil?

Eric: Vale muito à pena ir para o exterior. Os bailarinos daqui vão sempre para as melhores companhias do mundo, como o American Ballet Theater ou  o Convent Garden. É ótimo porque você tem contato com outras culturas e aprende com isso. Um dos melhores exemplos é a Roberta Marquez, que está no Convent. Ela tem um trabalho físico brasileiro, e agora está com um estilo inglês que se soma à sua técnica brasileira.

K&K News: Deixe um conselho pros jovens que desejam crescer na dança.

Eric: Devem beber só suco de fruta e parar de comer “joelho”! (risos) O trabalho é necessário; vocês precisam trabalhar mais se quiserem crescer. Trabalhem arduamente, tanto a técnica, quanto a parte teatral também. A técnica é muito importante, mas prefiro os bailarinos que se exprimem mais no palco. E trabalhem a musicalidade de vocês.

por Roberta Camargo

Produções de dança são sempre benvindas no mercado. Musicais têm lotado teatros, e, com a reabertura do Theatro Municipal, a dança ganhou um novo gás. Os artistas têm feito um grande trabalho nos palcos. Mas o público dificilmente para pra pensar em quão extensa é a mobilização para uma apresentação. Figurino, cenário, iluminação, som; os bastidores fazem um espetáculo acontecer. Sem os profissionais do backstage não haveria show.

Quanto maior o espetáculo, mais extensa a produção, e mais trabalho os outros integrantes da equipe – que não sejam os artistas em palco –  têm para dar vida às cenas. “A Gaiola das Loucas”, em cartaz (até o fechamento da matéria)  no Teatro Oi Casagrande, no Leblon, é um bom exemplo disso. “Comparo com um grande circo, pois temos que montar tudo, e se tivermos que viajar, levar tudo junto. Só nesse espetáculo são 4 carretas de 10 metros de altura. E quando chegamos no teatro é como quando um piloto entra no avião: precisa-se checar todos os detalhes.”, explica um dos produtores e stage manager, Alain Sinai, que já produziu “Hairspray” e “Os Produtores”. Contando com aproximadamente 200 pessoas (elenco, produção, maquinistas, técnicos e funcionários terceirizados), o trabalho de produção da “Gaiola” começou quatro meses antes da estréia no Rio – 2 meses antes para aulas de canto, interpretação, dança, circo e ensaio de cena. Só na audição, foram, em média, 400 bailarinos candidatos para serem escolhidos apenas 15. Os eleitos têm formações variadas; há professores de jazz, contemporâneo, sapateado e principalmente ballet, além de atores profissionais. Segundo Alain, eles já tiveram experiência em pelo menos 2 ou 3 grandes musicais, mas nunca dançaram de salto alto: “As loucas são artistas que incorporam a alma feminina. Parecer mulher ‘naturalmente’ usando maquiagem e salto alto foi um dos quesitos pra seleção”, conta. Entretanto,“ A Gaiola” envolve muitas perucas e figurinos repletos de plumas, sem contar a maquiagem pesada. Para isso, o elenco passou por workshops de maquiagem para fazerem a pintura sozinhos – todos fazem sua própria maquiagem. “Mas sempre tem um que quer mudar uma coisinha e pensa que a gente não percebe”, declara Sinai. Houve um visagista que criou todos os looks dos personagens, incluindo as perucas. Estas são 80 ao todo, e, durante o musical, 3 peruqueiras ficam em alerta nas coxias, para lavar, pentear e arrumar os cabelos falsos. O figurino volumoso, muito devido às plumas, recebe especial atenção para se conservar, e são também os próprios artistas que trocam de roupa – com a ajuda de camareiras.

Na parte técnica, os 12 maquinistas empurram os cenários para o palco, mexem em cortinas e cuidam dos mecanismos necessários para uma cena ser bem-estruturada. São eles que reformam os cenários também.  “Os operadores de som trabalham muito também. Eles decidem que lugar do corpo de um artista será melhor para pôr os microfones. Administram as várias cápsulas e receptores, e há uma mesa atrás do palco com todos os microfones.”, acrescenta o stage manager. De acordo com o entrevistado, a parte de iluminação é bem detalhada: “Temos muitas luzes plugadas no cenário, como painéis de LED e molduras. São de 300 a 400 lâmpadas no total operadas pelos iluminadores, além de uma mesa computadorizada que dispara as luzes. Há muita troca de iluminação durante as cenas, e o material é bastante delicado.”. Todo o backstage, que varia de 30 a 40 pessoas, ensaiou e ensaia em conjunto com os atores e bailarinos em cena.

Os mais diversos setores que envolvem uma produção são igualmente importantes. Todo o grupo tem que trabalhar em conjunto para que um show ocorra. “Além de bons artistas e profissionais, temos boas pessoas, o que ajuda para o trabalho ser muito divertido”, lembra o produtor. Para ganhar experiência na área, Alain Sinai diz que o melhor é conviver nos palcos, estudar muito e ter iniciativa. E gostar muito do que faz independentemente de remuneração para fazer “bem feito”:  “É um trabalho pesado, temos que abrir mão de várias coisas, estamos morando no Rio há 5 meses (eles são de São Paulo). É uma vida cigana”, afirma, ressaltando que às vezes é preciso fazer “mágica” pro cenário entrar no palco: “Uma lâmpada que cai, algo que quebra; isso faz de cada espetáculo um novo, um diferente do anterior.” . Na maioria das vezes, quem está na platéia nem percebe que tem algo errado. É o exercício da máxima de que o show, apesar de tudo, tem que continuar.

por Roberta Camargo

O 28º Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina, se desenrolou basicamente da mesma forma que nos anos anteriores: foram 8 noites de competição no Centreventos Cau Hansen, somando-se a abertura inédita do festival com o musical “Pernas Pro Ar”, estrelado por Cláudia Raia, a noite de gala com a Escola do Teatro Bolshoi do Brasil com “Gisele”, e a famosa “Noite dos Campeões”, que encerrou o Festival. Como mascote, a florzinha colorida que dança deu um toque especial à festa. Mas nem tudo foi parecido. Esse ano o Festival foi desfalcado com o recente falecimento de Roseli Rodrigues e de Roberto Pereira, rendendo exposições que lembravam o trabalho dos artistas em pontos do Centreventos.

A Feira da Sapatilha, “Meca” de compras de artigos de dança, estava à todo vapor. Muito se podia achar por preços bem abaixo do mercado. Os cursos e workshops aconteciam por toda a cidade, com destaque para o “Circuito Broadway”, seguindo a nova tendência de musicais. Os Seminários e as palestras também foram ponto alto, junto com a Mostra Contemporânea, não-competitiva, exibindo os últimos nomes em dança contemporânea; o Meia-Ponta, que contou com as pequenas estrelas de 10 a 12 anos; o Encontro das Ruas, reunindo artistas do universo hip-hop, desde grafiteiros a MCs; e a Rua da Dança, que ofereceu aulas abertas de yoga e dança de salão, entre outras. Joinville respirava dança. Os palcos abertos por mais variados locais da cidade, desde shopping centers até hospitais, mantinham viva a energia a todo o momento. Além disso tudo, a recente Passarela da Dança, um desfile de moda com as marcas expostas na Feira da Sapatilha, foi a oportunidade de alguns dos participantes do Festival darem uma de modelos sob outros holofotes.

Roberta Camargo na porta da escola do Ballet de Bolshoi em Joinville.

Pelo terceiro ano consecutivo ocorreu o “Visitando os Bastidores”, oportunidade para os visitantes de conhecer de perto como funciona o “backstage” de um Festival tão extenso. As visitas, que eram programadas, proporcionavam aos curiosos a chance de visitar as instalações dos bastidores e de ter contato com toda a estrutura técnica e humana que integra a produção dos espetáculos.  Ainda, a Escola do Teatro Bolshoi ofereceu um programa similar, em que, com hora marcada, grupos eram guiados por funcionários do próprio Bolshoi pelas dependências da escola, conferindo de perto os detalhes do cotidiano da única célula do Bolshoi fora da Rússia.

Houve algumas surpresas. Um dos telões deixou os organizadores na mão, tendo que ser desligado, o que cortou a transmissão dos espetáculos por mais de dois dias. A indicação do cenário de Giselle da Escola Petite Danse, Tijuca, para o prêmio Revelação foi curiosa, e o nome de Mayara Magri, da mesma escola, para o prêmio de “Melhor bailarina”, fez jus a atuação da moça como “Cisne Negro”. A coreografia “Reality Game” da Duo Mendes Cia. De Dança, Rio Grande do Sul, competindo na categoria  Dança de Rua, foi uma das sensações. “Mario” e “Luigi” estavam no palco ao som do jogo.  Levando o prêmio de primeiro lugar em Danças Populares – Conjunto- Avançada,o Grupo Folclórico Ítalo Brasileiro Nova Veneza  causou frisson ao levar o público de volta a Veneza e seu carnaval. Os figurinos estavam luxuosos, de dar inveja a Hollywood.

Considerado pelo Guiness Book desde 2005 como o maior festival de dança do mundo, o evento marcou a consagração da dança como arte. Dinâmico, intenso e contagiante, o Festival, que teve início no dia 21 e acabou dia 31 de julho deste ano foi inesquecível. E deixou um gostinho de quero mais a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, fizeram parte dessa grande celebração.

Pilates para a Dança

agosto 25, 2010

por José Luiz Bastos Melo

José Luiz Bastos Melo é Bailarino, Fisioterapeuta especializado em Dança e Consciência Corporal

No artigo passado, falamos genericamente sobre a utilização do Pilates pelos bailarinos como método de apoio ao condicionamento físico. Hoje vamos explicar melhor alguns aspectos desta proposta.

Como colocado anteriormente, umas das vantagens do Pilates é trabalhar de modo eficaz e globalmente toda a musculatura abdominal, e no Pilates existem muitos exercícios onde trabalhamos todo o conjunto dos músculos abdominais, e sempre acompanhado de um trabalho respiratório correto, com atenção e conscientização do movimento de enrolamento e alongamento da coluna vertebral, que associados dinamiza o efeito dos exercícios abdominais.

Outro aspecto importante, é não só trabalhar, apenas o músculo Reto Abdominal, mas principalmente o músculo Transverso, os Oblíquos e a musculatura do Assoalho Pélvico ; este trabalho ajudará muito aos bailarinos no “encaixe do quadril”, tão importante na Dança, principalmente a Clássica, onde a rotação das pernas, “en dehors” , é buscada as “duras penas”. Um aspecto também importante, é trabalhar a porção inferior da musculatura abdominal e sua ação na retificação da hiperlordose e estabilização da bacia durante os movimentos das pernas no ar.  Uma bacia corretamente estabilizada pelos abdominais, torna o trabalho das pernas no ar, muito mais leve, é como se tirasse o peso das pernas. Muitas bailarinas possuem muita flexibilidade, conseguindo uma elevação acentuada das pernas, quando deitado no chão ou no exercício de “pé na mão”, porém não conseguem sustentá-las no ar quando em pé, e isto muitas vezes se deve a musculatura abdominal fraca, sobrecarregando a musculatura das costas e dificultando a sustentação das pernas.

Durante o trabalho dos abdominais, outro item que não deve passar despercebido no trabalho com  Pilates, é quanto a consciência do movimento pelo aluno, o aluno bailarino, deve ter controle sobre a “ativação” da musculatura do Assoalho Pélvico e do músculo Transverso durante a expiração e contração dos abominais. Um dado importante, que fica por conta da linha de trabalho do professor, é quanto a forma como se trabalha a região lombar; a maioria dos profissionais trabalha com a região lombar em posição neutra, ou seja, corrige a hiperlordose, mas não ao ponto de uma retificação total da lordose fisiológica; eu já prefiro trabalhar os bailarinos com a lordose retificada, uma vez que os bailarinos na ânsia de aumentar o “en dehors”, tendem a aumentar a lordose, construindo assim um falso “en dehors”; isto é facilmente percebido colocando o bailarino deitado de costas no chão com a lombar retificada, e ao retificar a lombar o “en dehors” tende a desaparecer, demonstrando que o  mesmo era falso, ele só ocorria as custas de uma anteversão da bacia. Portanto, o trabalho para aumento do “en dehors” deve ser sempre feito com a bacia mais estabilizada e retificada possível, para se obter nos resultados.

José Luiz Bastos Melo

(Fisioterapeuta especializado em Dança e Consciência Corporal)

Tel.: (21) 3215 3135 ou (21) 7118 1871

jlbmelo@hotmail.com

Coluna do Florião

agosto 25, 2010

por Luís Florião

A coluna do Florião traz para vocês novidades sobre os bailes cariocas, o que rola na dança de salão da cidade, um aspecto histórico interessante ou uma dica bacana – tudo para que o leitor possa conhecer melhor e aproveitar ao máximo essa atividade tão saudável e divertida que é a dança de salão. Quem assina é o professor Luís Florião, pesquisador e atual presidente da Andanças – Associação Nacional de Dança de Salão, Luís Florião pesquisa as danças brasileiras desde 1987 e ensina danças sociais desde 1993.

É especializado no samba, no forró e na lambada carioca (também chamada de zouk). Ministrou oficinas e apresentou-se nos mais importantes encontros e congressos no Brasil e também na Alemanha, Argentina, Espanha, França, Inglaterra, Holanda, Peru, Portugal e Suíça.Responsável por diversos projetos como a Academia de Dança Luís Florião (criada em 1995 inicialmente com o nome Sindicato da Dança) o Br

No Ritmo e a Passos Largos

Apesar da nossa vocação para ser o eterno “país do futuro” onde tudo parece esperar um amanhã que nunca chega, um segmento artístico consegue acelerar e dançar no seu próprio ritmo – A dança de salão.

Renovada, revitalizada e com expressiva adesão do segmento jovem da sociedade,  a dança de par mostra a sua cara, se fortalece e assume seu papel de importante opção de lazer e de trabalho.

A garotada se deu conta disso, lá nos anos 80 quando  surgiu a moda da Lambada. Agora os mais novos se encantaram e descobriram nos bailes de forró, da nova lambada ao som de zouks e da salsa, onde canalizar sua vitalidade, divertindo-se e usando a linguagem corporal para dizer a que vieram.

Por sua vez, o profissional de dança, antes visto apenas como um “pé de valsa”, um sujeito que sabia “alguns passinhos”, mudou de postura, buscando a profissionalização, exige-se e cobra reconhecimento junto à sociedade. Aprendeu que é preciso estudar, manter-se atualizado, interagir de forma efetiva com o mercado, aderir aos conceitos modernos de administração, marketing e comunicação, e mais que tudo, dedicar-se e obter o melhor na técnica de ensinar, apresentar-se e coreografar.

Nesse novo cenário, o que assistimos é a veloz expansão do mercado de dança. Cresce de forma expressiva o número de escolas e academias, formam-se cada dia mais professores e dançarinos, e a procura por bailes dançantes é cada dia maior. Um filão cobiçado nesses tempos de concorrência acirrada e empreendedorismo.

Iniciativas associativas com objetivo de dar maior visibilidade ao setor, obter patrocínio e espaço na mídia têm sido outro indicador desse crescimento. Registra-se a formação de várias associações estaduais e diversas conquistas na área política – que abordarei em outro momento.

O atual e crescente sucesso da dança de salão deve ser atribuído principalmente ao esforço dos profissionais da área e de empresários que aceitaram o desafio de, com grande empenho, superar e adequar-se às demandas de mercado, buscando novas frentes de atuação e tirando a dança de par de antigos redutos , levando- a para os palcos, avenidas e grandes eventos.

Deve-se ainda a uma equação brilhante: a dança de salão é basicamente a única arte que conjuga atividade física, lazer, contato social e benefícios psicológicos com preço muito acessível, de fácil aprendizado, sem exigir espaços ou equipamentos sofisticados, indicada para todas as idades e aceita em todos os extratos sociais.

Nesta minha primeira participação como colunista no Kerche & Kerche News achei interessante dar uma visão mais geral da dança de salão e seu momento atual. E essa é a hora, estamos no ritmo certo – profissionais, dançarinos e interessados acertem o passo e venham para o salão conhecer a nossa dança!

Luís Florião – Academia de Dança Luís Florião – http://www.dancecom.com.br