Caros Amigos,

Yuri Kraszczuk

É com muita alegria que volto a lhes escrever.

Em primeiro lugar gostaria de agradecer a todos que enviaram e-mails e mensagens através de nosso blog, nos parabenizando e enviando sugestões, queria agradecer também aqueles que enviaram perguntas para nossa entrevistada desta edição, que é ninguém menos do que Ana Botafogo, que nos recebeu com simpatia e muita atenção, muito obrigado Ana.

O KERCHE & KERCHE NEWS superou nossa expectativas e sua aceitação foi unanime, isto nos deixou mais motivados ainda para esta segunda edição, por este motivo, estamos trazendo nesta edição matérias que poderão fazer você refletir sobre como está à situação atual da dança.

Conseguimos uma autorização do Royal Ballet, para podermos contar um pouco da história e de como funciona esta importante companhia de dança, a isso devemos agradecer a Catherine Ladd do Royal Ballet. Fomos procurar saber o que aconteceu com os festivais do Rio de Janeiro e o que descobrimos foi preocupante. Na coluna saúde o fisioterapeuta José Luiz Bastos Mello fala sobre a utilização das técnicas do pilates como auxilio a dança.

Espero que gostem das matérias e se quiserem obter mais detalhes sobre elas, ou até mesmo sugerir algum outro assunto, envie um e-mail para nosso endereço, kercheekerchenews@gmail.com, a partir desta edição, é possível acessar o jornal através de nosso blog https://kercheekerchenews.wordpress.com, lá estarão disponíveis papeis de parede para deixar seu computador na moda e a versão completa da entrevista com Ana Botafogo, inclusive as respostas das perguntas enviadas por fãs.

Boa Leitura e até o próximo.

Yuri Kraszczuk

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por Yuri Kraszczuk

Ana Botafogo

Ana Botafogo….. bailarina, bailarina, bailarina….. acima de tudo mulher, observadora, carismática, que ao ser apresentada à dança pequenininha, se apaixonou por esta dança, superou desafios e hoje tem o reconhecimento e o respeito do público e de várias  gerações que a tem como exemplo de determinação e dedicação a sua arte.

Uma mulher que em sua essência é bailarina, uma mulher multifacetada que em cada faceta tem um pouquinho da bailarina, uma mulher que tem seu lado família, tia, dona de casa e acima de tudo artista.

Tivemos a honra de entrevistá-la e agora temos o prazer de compartilhar tudo com vocês.

K&K News: Qual o momento mais marcante de sua vida?

Ana: Meu primeiro espetáculo como primeira bailarina do Theatro Municipal, acho que foi um divisor de águas em minha vida profissional, foi aí que comecei a ver a responsabilidade de ser uma figura principal de um teatro tradicional como o Theatro Municipal. No lado pessoal, citaria meus dois casamentos na igreja perante Deus; são dois momentos muitos importantes na minha vida de Ana Maria, não de Ana Botafogo. Foram momentos muito emocionantes porque ali não estava interpretando nenhum personagem, era apenas eu: achei que ia ter mais controle sobre todo este momento, mas me emocionei muito a ponto de não conseguir reter as lágrimas, porque isso é a história de minha vida.

K&K News: Que importância teve o Ballet de Marseille para a sua carreira?

Ana: Foi minha primeira experiência profissional. Cheguei ávida por conhecimento e num mundo ainda desconhecido para mim, ainda mais, porque estava num pais estrangeiro. De imediato tive um excelente começo numa das mais bem conceituadas cias. da Europa naquele momento. Aprendi muito sobre a profissão, sobretudo sobre profissionalismo. Tudo nesta Cia. funcionava maravilhosamente bem em termos de organização e estrutura. E foi logo na primeira semana como profissional na companhia de Roland Petit, que se chamava Les Ballets de Marseille que percebi que era àquela vida que ia me dedicar de corpo e alma. Aproveitei tudo o que pude, mas o meu sonho era dançar os grandes clássicos, e esse foi uns dos motivos que me fez sair da companhia, que era maravilhosa. Foi maravilhoso ter começado com coreografias de Roland Petit, o que me deu uma abertura de não ser só clássica e também fazer outros tipos de danças, acho que a partir daí foi desabrochando essa vontade de dançar vários estilos e de estar plena no palco.

K&K News: Quais as maiores dificuldades que você enfrentou em sua carreira?

Ana: Acho que primeiramente minha própria superação física, temos que ser “máster” deste nosso corpo. E depois a agonia sempre de saber superar o momento da volta aos exercícios de um machucado mais sério.

“O ARTISTA VEIO AO MUNDO PARA SUPERAR SEUS PRÓPRIOS LIMITES”

K&K News: E o ambiente trabalho, a disputa por um papel?

Ana: Em qualquer profissão, sobretudo dentro de uma empresa onde se quer galgar posições, sempre há disputas. Acho que isso é o menor dentro da profissão. Nós os artistas temos que nos superar a cada dia, claro que cada um é um, eu levo muito esses desafios de ter concorrência por um papel para o lado da emulação, neste caso os bailarinos se aprimoram e se esforçam mais, vendo os seus colegas dançarem. Aprendemos assim. Sou muito observadora e sempre quis ultrapassar limites mesmo sabendo que alguns eram impossíveis.

K&K News: Como você lidou com as lesões durante sua carreira?

Ana: Quando somos jovens dançamos mesmo machucados, eu fiz isto milhares de vezes, hoje em dia sou muito mais correta com o meu próprio corpo. Acho muito importante o bailarino ter um fisioterapeuta anjo atrás de si, porque a gente expõe o físico a um estresse total. Acredito que muitas carreiras aqui mesmo no Theatro Municipal foram encurtadas porque as pessoas não tinham acesso a um bom fisioterapeuta. Eu por exemplo tenho um médico que me acompanhou a vida toda, Dr. João Ayoub. Mas devo confessar que quando eu era iniciante na carreira fiz muita coisa errada como, por exemplo, voltar aos exercícios antes dele autorizar, mas a maturidade nos ensina na vida e  de 15 anos para cá faço absolutamente tudo o que ele me manda fazer. Se eu danço até hoje, devo muito a toda prevenção e cuidado que ele teve comigo. Não posso deixar de citar o Dr. Carlson Binato médico do Theatro municipal, que sempre me atendeu em tudo o que me aconteceu dentro do teatro.

Ana Botafogo em "O Lago dos Cisnes"

K&K News: Quem são seus ídolos?

Ana: Margot Fonteyn, Márcia Haydée, Maya Plisetskaya, Charles Chaplin, Fernanda Montenegro, Lilia Cabral, Marília Pêra, Bibi Ferreira.

K&K News: Em seu ponto de vista, quais os prós e contras da maturidade tanto na carreira quanto na vida?

Ana: Na vida profissional me deu mais segurança em cena e sobre tudo sabedoria de curtir meus momentos em cena e de não me importar com pequeninas coisas. Na vida, a maturidade é boa para gente ter tranqüilidade, saber gerenciar sua vida melhor e nos obriga a ser mais dona de nossa vida. Os contras: são as ruginhas que nos aparecem mas fazem parte de nossas marcas , que fazer ?…rsrsrs

K&K News: Podemos perceber que você diversificou bastante sua carreira, Clássico, Popular, agora o contemporâneo com o grupo DC, o que você atribui a essa diversidade de projetos e o que isso agregou a você?

Ana: Sou uma bailarina essencialmente clássica, sempre gostei de fazer os grandes clássicos, mas tive a necessidade e a vontade de levar este meu ballet mais próximo do povo. Antes de entrar no Theatro Municipal fiz espetáculos coreografados por  Dalal Achar, que  tinham o intuito de popularizar o ballet, levar público leigo a conhecer e gostar desta nobre arte . Fui ,na realidade a musa inspiradora para alguns desses balés  como: Romeu e Julieta pop, Cinderella e Sonho de uma noite de carnaval . Então a partir daí, durante estes mais de 30 anos de carreira, levei sempre minha dança para perto do povo, para eles terem chance de conhecer o que era dança e o que era ballet.

K&K News: Como foi o ícone do Ballet trabalhar ao lado de ícones da dramaturgia?

Ana: Eu fiquei absolutamente encantada com todos os ícones da nossa dramaturgia que estavam em minha volta. Eu tinha um núcleo familiar importantíssimo só com grandes atores e eu era filha de Glória Menezes e Tarcisio Meira. Eram atores consagrados e experientes, que me ajudaram muito.  Lá me sentia uma novata (aliás, era o que eu era ) em início de carreira , como foi quando comecei lá em Marseille: ávida por conhecimento e tendo que tudo absorver . Foi um presente maravilhoso estar no meio de grandes ícones; eu pude aprender muito, pois quando não estava gravando eu ficava em volta assistindo as outras gravações.

K&K News: Quais são seus projetos futuros?

Ana: Por enquanto para um futuro próximo eu ainda tenho muitos espetáculos para dançar; em junho, faço espetáculos fechados no Rio de Janeiro e depois vou a Brasília e Cruzeiro no interior de São Paulo, Em julho participo dos Festivais de Petrópolis e Friburgo e então estrearemos uma temporada com coreografias de David Parsons  no Theatro Municipal . No segundo semestre vou fazer algumas viagens como convidada me apresentando em diferentes cidades e pretendo me dedicar a alguma produção clássica, que certamente será produzida por mim.

K&K News: Qual o conselho que você pode dar para as gerações futuras?

Ana: Que trabalhem muito, que façam muitas aulas e escutem seus professores, porque quem está de frente para o bailarino sabe o que é melhor. Pensar muito na alma do bailarino é meu conselho; que não esqueçam a alma, porque no mundo em geral, a técnica e o vigor físico melhoraram muito nesta nova geração, mas por favor não esqueçam da alma, porque a alma do bailarino é importantíssima, e  é isso que nos faz diferentes de qualquer atleta.

As perguntas feitas pelos fans se encontrarão respondidas brevemente na categoria de “Making off”

por Yuri Kraszczuk

Fachada do Royal Opera House (foto de Rob Moore)

A setenta e nove anos, a bailarina irlandesa Ninette de Valois formou uma pequena companhia de bailarinos e fez sua primeira apresentação no London’s Old Vic Theatre. Valois empenhou-se em estabelecer uma sólida base do repertório clássico para a companhia, que encenou sua primeira produção clássica em 1932, com o Ato II de O Lago dos Cisnes. Assim nasceu a mais importante companhia de ballet da atualidade, o Royal Ballet.

A história desta companhia que hoje tem aproximadamente 900 funcionários entre bailarinos, figurinistas, camareiras, técnicos, administrativo, dentre outros, é muito interessante. A bailarina Beryl Grey contou em entrevista a Zoe Anderson, (crítica de dança do The Indenpendent), que ela estava dançando o pas de deux de Cisne Negro durante a guerra e quando ela fez uma pose e deu um passo para trás, um foguete V2 explodiu fazendo o teatro inteiro balançar, ela continuou dançando e o público por sua vez continuou assistindo sem se preocupar com o que estava acontecendo.

O Royal Ballet passou a ser chamado assim em 1956, após receber um título real. Anteriormente era chamado de Sadler’s Wells Ballet passando a residir em sua atual sede no Royal Opera House, Covent Garden, após o término da guerra, inaugurando o com uma nova produção de A Bela Adormecida. O edifício atual é o terceiro teatro erguido no local, a fachada, o foyer e o auditório datam de 1858, mas quase todos os outros elementos do atual complexo datam de uma extensa reconstrução efetuada nos anos 90. O Royal Opera House comporta 2.268 pessoas e possui quatro fileiras de boxes e balcões, e a galeria do anfiteatro, o proscênio possui 12,20 m de largura e 14,80 m de altura.

Nomes importantes da dança como: Alicia Markova, Margot Fonteyn, Robert Helpmann, Rudolf Nureyev e coreógrafos, como Frederick Ashton, Kenneth MacMillan e Bronislava Nijinska ajudaram a escrever parte da hitória do Royal, atualmente bailarinos como Carlos Acosta (cuba), Thiago Soares e Roberta Marquez (Brasil), Marianela Núñez (Argentina), Ivan Putrov (Ucrânia), Tamara Rojo (Espanha) entre outros, ajudam a escrever a atual história da companhia, que já não é mais uma companhia só de ingleses.

A rotina diária de trabalho dos bailarinos começa às nove e meia da manhã, com uma hora e meia de aula, segue com ensaios no restante do dia e os espetáculos acontecem à noite. Em media são oito horas por dia de trabalho, por ano a companhia chega a ter uma media de 160 espetáculos, sem contar com a turnê que fazem todos os anos, que dura de quatro a seis semanas e são feitas no final da temporada, que tem início em setembro e se encerra em julho. As lesões são sempre um problema, quando se tem uma programação extensa, para isso o Royal Ballet conta com um departamento de fisioterapia que fica no local dando auxilio necessário para cada bailarino, mesmo assim as lesões são inevitáveis, por isto, para a maioria dos ballets é escaldo até três casting. Com uma agenda repleta e ensaios constantes, o consumo de sapatilhas de ponta é condizente com esta realidade, por ano são utilizadas cerca      de seis mil pares de sapatilhas de ponta, cada bailarina tem a sua disposição em media dez pares por mês, porém há aquelas que usam três pares de sapatilhas por mês e há outras que usam dois pares por dia.

Interior do Royal Opera House (foto de Rob Moore)

Um ponto importante levantado por Catherine Ladd (responsável pelas sapatilhas da companhia) é o custo de vida em Londres, “Londres é caro, aluguel, hipoteca e despesas de transporte são as principais despesas”. Outro ponto é a tradição do trabalho, que é passado de geração a geração através dos bailarinos que não dançam mais e que assumem outras funções, como ensaiadores, remontadores, professores e alguns vão trabalhar em funções administrativas, o que faz com que a sólida base clássica iniciada por Ninette de Valois perdure até hoje.

Hoje o Royal Ballet é formado por bailarinos de diversos países, isso é uma boa notícia para os que sonham em um dia, fazer parte deste seleto grupo, porque os novos bailarinos são contratados conforme a necessidade da companhia, por este motivo, não existe um período específico para audições. Para conseguir ser avaliado em uma aula com os bailarinos, é preciso que o candidato envie um currículo com vídeo à administração da instituição solicitando uma data. Sendo assim, é possível ingressar no Royal Ballet de duas formas: uma através da escola da própria companhia, o Royal Academy of Dance, ou através de audições marcadas da forma descrita, porém vale lembrar que a contratação somente acontece de acordo com a necessidade da instituição.

por Roberta Camargo

Roberta Camargo

A essa época de 2009, a agenda de festivais de dança no Rio de Janeiro já estava lotada. A tradicional edição do CBDD, bem como o Corpo Livre ou o Arte de Dançar, da Escola de Danças Spinelli, eram esperados ansiosamente, ou já tinham sido muito bem-sucedidos caso do CBDD, por vários bailarinos e aficcionados pelo mundo da dança. Lotando teatros, esses festivais, bem como outros, têm grande representação a nível nacional, fazendo da Cidade Maravilhosa palco para grandes competições e demonstrações de talento dos artistas de todo país. Paulistas, mineiros ou gaúchos, juntamente com os cariocas, tinham a oportunidade de apresentar seus trabalhos e conhecer as qualidades, e os erros, dos outros bailarinos. Eram festivais para ver, apreciar, comparar, mas acima de tudo, celebrar a diversidade que há na dança. Entretanto, já estamos em junho deste ano e até agora nenhum sinal de festivais grandiosos no Rio.

Para saber porque esses eventos não vem ocorrendo, falamos com alguns profissionais artísticos. Nos bastidores, surgiram especulações que diziam ser a depredação dos teatros, tanto por parte dos bailarinos quanto do público desses festivais, o principal motivo para essa “abstinência” de competições cariocas.  Claudio Figueira, organizador do Festival Corpo Livre, que já conta com 16 anos de existência,  acredita que isso “é uma fantasia” : “Está faltando lugar. Os teatros de grande porte para abrigar esses festivais são poucos e estão com as agendas lotadas.” E afirma que ainda procura um espaço para sediar o Corpo Livre, apesar de toda a dificuldade. Assim como Bete Spinelli, coordenadora do Festival  A Arte de Dançar, diz achar que supostos “acidentes”, sejam cadeiras quebradas ou  torneiras arrancadas, são passíveis de ocorrer em quaisquer grandes eventos que reúnam um alto número de pessoas, não sendo exclusividade dos festivais de dança:  “Como educar um público que não tem o costume de ir ao teatro?  ”Vetar essas situações não é a saída, somente acaba com uma prática de evolução.”  Marisa Estrela reforça: “O Teatro (referindo-se ao Odylo Costa Filho, na UERJ) está sendo acabado. As pessoas gritam durante os espetáculos, colocam chicletes embaixo das poltronas, mostrando que não tem educação para se comportarem em um teatro. Talvez faça parte dessa geração atual.”

O centro das atenções, no meio disso tudo, é o Teatro Odylo Costa Filho. Apesar de termos o Carlos Gomes, ou o João Caetano, palco do Panorama e que tem muitas apresentações de dança em sua pauta, geralmente é no Odylo que ocorrem esses eventos. Segundo os próprios organizadores, é o que tem melhor porte e capacidade estrutural para abrigar festivais de dois, três dias. Então, as especulações surgiram, principalmente, envolvendo este teatro. Os festivais teriam sido cancelados devido à atual parceria da UERJ com a Orquestra Sinfônica Brasileira, servindo o Odylo como centro para ensaios que, segundo Maria Lúcia Galvão, atual responsável pelo teatro, ocorrem de segundas aos sábados, durante todas as manhãs até as 14h da tarde: “Na verdade, houve um interesse da reitoria e da sub-reitoria em administrar com a prefeitura uma parceria junto a Orquestra Sinfônica Brasileira, que, além de não oferecer ônus ao teatro, fará uma série de obras para melhorias do espaço”. A coordenadora faz coro com alguns organizadores quando se trata do comportamento do público dentro do teatro durante os eventos: ”Hoje há uma classe de formação artística sem um acompanhamento de formação da platéia. Isso é triste. O grande público dos festivais acaba utilizando outras estruturas, pois os banheiros ou camarins não comportam, para outros fins, o que prejudica o espaço físico do teatro. O cancelamento dos festivais foi devido a uma indisponibilidade de pauta. Isso nada tem haver com o critério de proibição de ocorrência dos festivais, que se tornam impossíveis de conviver com a residência da OSB, mas esse fator (depredação) também foi discutido”. Ela acredita que, atualmente, esses eventos ganharam caráter somente de competições, tornado-se ”olimpíadas de arte”, modificando o comportamento tanto do público quanto dos participantes. Ainda, Maria Lúcia diz que o teatro, por ser uma instituição pública, tem comprometimento com a sociedade para deflagrar e estimular o acesso a cultura e por isso, ainda há projetos relacionados à dança, como os espetáculos internos das academias, que ocorrerão normalmente. E alega que algumas pessoas do meio da dança criaram forte ligação com o espaço, contando com o teatro antes mesmo de receber alguma resposta oficial da UERJ. “O que é um equívoco, até porque a Universidade também tem de visar alternativas para o uso do espaço, como a residência de outras artes. As pessoas têm de ter bom senso e perceber que não há certeza nenhuma de que aquilo (a ocupação no Teatro) pertence a elas”.

De uma forma ou de outra, Maria Lúcia disse que não há previsão para agendamento de nenhum festival. Apesar da divergência de opiniões, é consenso entre os profissionais entrevistados que a prática de festivais é construtiva tanto para participantes como para o público no geral. São de extrema importância, considerados como “experiência de palco e vivência em dança”. O Rio é uma das cidades com maior representatividade no meio de dança, contando com a maior companhia de ballet do país. Sem a ocorrência dos festivais, fica uma lacuna impossível de ser substituída. E traz conseqüências danosas, como a do cinegrafista Henrique, que se especializou em cobrir esses eventos: “Tenho 15 anos de experiência no meio, e sem nenhuma contratação para festivais em vista; isso afeta consideravelmente meu trabalho e meu rendimento financeiro.” Como afirmou Bete, ao final da entrevista: “Quem perde, no fim das contas, somos nós, o pessoal de dança”. E todo um público cativo também.

Pilates para a Dança

junho 11, 2010

por José Luiz Bastos Melo

José Luiz Bastos Melo

Embora o uso do Pilates, como recurso complementar à preparação física dos bailarinos, não seja novidade, pois já vem sendo utilizada deste a década de 60 e por diversas Cias. de Dança nos EUA e Europa, aqui ainda está engatinhando, e sendo aplicado predominantemente por professores não bailarinos, como professores de Educação Física e Fisioterapeutas, que nunca praticaram nenhuma modalidade de Dança, ficando sempre devendo na adaptação dos exercícios do Pilates aos movimentos da Dança. Mas existem conceitos básicos da técnica do Pilates, extremamente úteis aos bailarinos, que independem de conhecimento prévio sobre Dança por parte do professor de Pilates. A tríade básica do trabalho de Pilates, flexibilidade – força – resistência, por si só, já é útil ao trabalho físico da Dança.

A seguir vamos discutir genericamente alguns aspectos do Condicionamento Físico através do Pilates, que considero muito úteis aos bailarinos.

Respiração; este é dos pontos onde o Pilates tem uma ação extremamente colaborativa aos bailarinos, em especial aos bailarinos clássicos; estes, quase sempre têm um padrão respiratório superficial, do tipo apical, que atrapalha na postura e no condicionamento físico, e o Pilates atua corrigindo este padrão, através de exercícios de reeducação respiratória, proporcionando um padrão respiratório mais global, com ênfase na expansão e mobilização do gradil costal. Este novo padrão trará maior estabilização do tórax, liberando a musculatura dos braços e pescoço.

Abdominais; associado ao trabalho respiratório, a proposta do Pilates de trabalho de todo o conjunto dos músculos abdominais, e a forma com que faz, possibilitará maior controle do tronco, ajudando principalmente os homens nos grandes saltos e piruetas, e para as mulheres, dará maior estabilidade à bacia, permitindo a maior elevação das pernas, principalmente nos “grand pás de deux”, onde a combinação de pernas altas e piruetas de “cintura” e “dedo” são muito comuns.

Adaptações da técnica; é onde o profissional de Pilates com conhecimento de Dança, mais poderá ajudar ao aluno. Com propostas de aproximar os exercícios do Pilates a especificidade dos movimentos da Dança, como fazer alguns exercícios em “en dehors” por exemplo,  conhecer os passos que o aluno apresenta dificuldades para entender onde esta a deficiência do aluno, e assim obter um melhor rendimento.

José Luiz Bastos Melo

Fisioterapeuta especializado em Dança e Consciência Corporal

Tel.: (21) 3215 3135 e (21) 7118 1871

jlbmelo@hotmail.com

Sapateia São Paulo

junho 11, 2010

por Roberta Camargo

Em seu sexto ano o Sapateia São Paulo chega a sua sexta edição e ocorrerá nos dias 19 e 20 de junho. O evento terá em sua abertura a apresentação de coreografias do norte-americano Aaron Talson, sapateador reconhecido internacionalmente como divulgador da história da comunidade negra no meio de sapateado. Visando “difundir e preservar a história do sapateado vindo dos negros ao mesmo tempo que ressalta a identidade brasileira”, como afirma a organizadora do evento Christiane Matallo, o Sapateia São Paulo faz parte, por lei (14.347/07), do calendário oficial municipal, celebrando o Dia Internacional do Sapateado, 25 de maio, aniversário de Bill Bojangles, um dos maiores sapateadores a nível mundial, que foi preterido por Hollywood devido a sua pele negra na época em que a segregação racial estava em alta nos EUA

No dia 19, o evento divide-se em Sapateandança, um cortejo formado pela Escola de Samba Mocidade Alegre com os sapateadores presentes que ocorrerá no Parque do Ibirapuera e a Tap Mostra, onde haverá a apresentação de coreografias para especialistas em sapateado e para o grande público. A entrada nesse dia é franca. No segundo dia, haverá workshops com os professores: Gisela Martins, Christiane Matallo, Patricia  Stellet, Luizz Baldijão e Aaron Tolson na Rua Augusta, 2672

O Sapateia SP está acessível a todos, de acordo com Christiane: “Queremos promover a popularização dessa arte no Brasil. Basta querer aprender.”

Para mais detalhes, ligue (11) 7688-7867, (11) 3064-7773; ou visite o Sapateia SP em www.christiane-matallo.com.br

por Rafael Portilho

Rafael Portilho

Quando iniciaram a temporada do quadro “A Dança dos Famosos”, aos domingos no Domingão do Faustão, dificilmente os autores esperavam haver um grande retorno com a dança. Retorno esse que desde a criação do quadro até os dias atuais há, ao menos, uma novela em exibição da rede Globo com um núcleo onde os personagens dançam. Isso acabou trazendo mais adeptos para a modalidade devido à grande exposição e inspiração. Cada vez mais pessoas lotam as escolas de dança querendo dançar igual a um artista, elas querem uma coreografia igual a deles para dançarem em suas festa de casamento, debutante ou aniversário.

Nós, profissionais da área, temos muito que agradecer a esse grande incentivo a nossa arte, mas ao mesmo tempo temos muito a ser agradecidos também, pois damos continuidade a mais gostosa forma de se dançar a dois; levando-a a cada vez mais pessoas por esse país a fora. Aquele que nunca dançou um “dois pra lá dois pra cá” de rostinho colado ao som de um Samba, Forró ou da antiga Lambada, hoje conhecida como Zouk, que atire a primeira pedra.

Fica a dica para aqueles que precisavam de um empurrazinho e o para os que já dançam é só continuar, pois como diz o poeta “quem dança é mais feliz”.